CASTRO DE SABROSO

As primeiras intervenções de Martins Sarmento em Sabroso são datam de 1877. Desde os inícios que o sítio se apresentou com o seu carácter mais modesto do que a Citânia de Briteiros, não só em termos de área ocupada, como também na própria concepção urbana e arquitectónica do habitat.

As intervenções de que foi alvo foram mais dispersas e menos consequentes, tendo sido relegado para um segundo plano, em detrimento do esplendor de Briteiros. Contudo, e mesmo assim, foram postos a descoberto 35 vestígios de construções que, exceptuando três, primam pela forma redonda.

A sua simplicidade e arcaísmo urbano reflecte-se, sobretudo, na ausência de arruamentos perfeitamente delineados, onde a ausência de calcetamento se torna num facto notável. Contudo, algumas marcas que se encontram na Citânia também fazem sentir aqui sua presença, não só pela disposição em forma socalcada, como pela existência de pequenas praças calcetadas ao longo dos arruamentos, A única via calcetada encontra-se do lado SE, estendendo-se por uns parcos 40 metros, relacionada com uma das entradas (com função ritual?).

O castro encontra-se defendido por apenas uma cintura de muralhas, mas parece ter tido um dinamismo próprio, pois há sinais de ter sido aumentado o seu perímetro de modo a permitir a expansão urbana. E curioso notar que o aparelho das muralhas é muito semelhante ao usado em Micenas, baseado em pedras bem faceadas dispostas em aparelho poligonal. A sua função não parece se ter resumido às necessidades defensivas, uma vez que também parece ter servido para suster as terras da encosta, sendo reforçada por uma segunda capa de pedra sobreposta à original. Este engenhoso sistema, além de lhe conferir uma maior resistência, também servia para a elevar, uma vez que esta segunda camada assentava num nível mais baixo, calculando-se que a sua altura rondasse os cinco metros. O sistema defensivo era ainda complementado por um murete de seis metros, paralelo à muralha (da qual dista 1,20 m) e que serviria para proteger uma porta, condicionando e entravando o acesso de possíveis invasores. Se tal sistema se poderia ter aplicado às outras entradas, e não apenas a esta do lado norte, tal ainda está por confirmar.

Uma das marcas mais patentes, que sobressai nos vestígios exumados, é a ausência de marcas ou indícios de romanização, facto já adiantado por Sarmento. Desde logo, primam pela ausência os vestígios de telha, cerâmicas romanas, vidros, inscrições, moedas... enfim, todo um conjunto de provas que dão como certa noutros lugares a forte influência daquele poderoso invasor. A telha, aliás, parece ter sido substituída nas suas funções por placas de xisto, que constituiriam a cobertura de algumas das casas, sendo a sua estrutura sustentada por um esteio no centro da habitação.

Tais factos, aliados a uma maior abundância de objectos em pedra (machados, facas de sílex, etc.), parecem indicar o carácter de anterioridade de Sabroso face à Citânia, admitindo-se ter sido abandonado por volta do séc. III a. C.

Na Revista de Guimarães

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