A Sociedade Martins Sarmento, para além de administrar a Citânia de Briteiros e o Castro de Sabroso, é proprietária de um conjunto de sítios e monumentos arqueológicos distribuídos pelos distritos de Braga, Bragança, Guarda e Porto, que foram entregues à guarda da SMS por intervenção de Martins Sarmento, que, nuns casos, arcou com os custos das aquisições, e, nos outros, intercedeu junto dos respectivos proprietários para que os doassem a à Sociedade. Ao arqueólogo se deve também a iniciativa que conduziu à aprovação, em 1889, de uma lei que passou a permitir que instituições como a SMS pudessem adquirir «edifícios com carácter de monumentos históricos, ruínas, inscrições, dólmenes e terrenos próprios para estudos experimentais e explorações arqueológicas ou de outra natureza, mas unicamente científica ou literária».

«O primeiro monumento comprado foi uma mamoa, na freguesia de Donai, próxima de Bragança, no ano de 1891. «Mamoa», «mámoa» ou «mamoinha» é o nome popular (derivado de mama?) de uma sepultura megalítica, consistindo numa caixa rectangular construída com grandes pedras, que formam as paredes e a tampa, tudo coberto de terra, que assim constitui um montículo ou tumulus, bem destacado do solo. Por vezes, sob essa elevação de terreno, encontra-se um autêntico dólmen, a que o povo chama anta, arca ou orca, conforme as regiões. Em 1892 foi adquirido o dólmen de Pêra do Moço, perto da cidade da Guarda; neste mesmo ano foi comprada a estátua colossal, de Pedralva, que mais tarde, muito depois de falecido Martins Sarmento, se conseguiu deslocar para o Museu da Sociedade; e, ainda em 92, uma mamoa tendo próximos quatro pequenos monumentos «em forma de marcos», adquiridos perto das Caldas das Taipas. Em 1894, a Sociedade tomou posse de outra mamoa e de um penedo com insculturas, situados na freguesia do Salvador de Briteiros; e, também nesse ano, obteve uma gruta com espólio neolítico, existente na base de um grande penedo, na freguesia de Soalhães (Marco de Canaveses). Finalmente, em 1898 era adquirido o chamado «Forno dos Mouros» e, perto dele, uma laje repleta de interessantes petróglifos, na freguesia das Carvalhas, do Concelho de Barcelos, No ano imediato falecia Sarmento, e, desde então, desaparecido o incansável e benemérito doador, não mais a Instituição voltou a conseguir qualquer monumento desta natureza.»
(Mário Cardozo, “Monumentos Arqueológicos da Sociedade Martins Sarmento”, Revista de Guimarães n.º 60, Guimarães, 1950, pp. 413-414).

Com o propósito de assegurar o resguardo e a preservação dos seus monumentos arqueológicos, a Sociedade Martins Sarmento tem desenvolvido contactos com as Câmaras Municipais das terras onde se localizam, procurando estabelecer protocolos de cooperação. Até agora, já foram assinados acordos com as autarquias de Barcelos e da Guarda.


Sobre os monumentos da SMS:

CARDOZO, Mário “Monumentos Arqueológicos da Sociedade Martins Sarmento”, Revista de Guimarães n.º 60, Guimarães, 1950, pp. 403-486

CARDOZO, Mário “Monumentos Arqueológicos da Sociedade Martins Sarmento”, Revista de Guimarães n.º 61, Guimarães, 1951, pp. 5-80

 

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