Efeméride de 20-05-1858

Descrição
Primeiro dia das festas nesta cidade pela chegada da Rainha ao Reino. À aurora, Salva Real no quartel e logo outra e música nos Paços do Concelho, seguindo esta pelas ruas da cidade, havendo enquanto foguetes, repiques e relógio. Jantar abundante que o comendador Eduardo Mateus de Almeida Coelho fez preparar para os soldados, que andavam em grande uniforme, findo o qual veio para a porta da Colegiada, cuja corporação estava numerosa e presidida pelo chantre, apesar de ele se achar doente. Reunidos o arcipreste com a clerisia; o administrador e empregados; o juiz de direito com os seus substitutos, escrivães, tabeliães, e oficiais de diligências; o comandante do destacamento com seus subalternos e oficiais militares reformados, com patente superior, saiu dos paços do Concelho a Câmara Municipal e seus empregados, seguida de 26 pobres de ambos os sexos, completamente vestidos à custa do Município, e, depois de entrarem no majestoso templo ao som da música e estrondo do fogo do ar, tomaram todos os seus lugares, ficando os pobres no centro da igreja, estando na capela-mor o Conde de Azenha e o conselheiro José Fortunato Ferreira de Castro, o Chantre entoou o Te Deum. Concluído o acto regressou a Câmara aos Paços do Concelho, seguida do mesmo acompanhamento e, seguida da música e de muitas pessoas encarregadas de comestíveis saiu de novo a Câmara em forma processional com direcção às cadeias e dali à casa dos entrevados, a S. Paio, e a uns e outros serviu um abundante jantar de sopa de massa, carne, presunto, arroz, um pão de trigo e outro de mistura, e meio quartilho de vinho, tocando fora dos edifícios durante estes jantares a música de Sande. Concluídos estes actos voltou a Câmara aos Paços do Concelho, e, ali debaixo da arcada, distribuiu à pobreza o resto deste mantimento; e, porque alguns pobres chegaram tarde e se lamentavam disso, deram-lhe 40 réis a cada um. À noite, brilhante e geral iluminação, em Vila Pouca, quartel militar, casa do vereador João António da Silva Areias, do Conde de Azenha, e da Sociedade Terpsicore, a da Câmara Municipal dirigida pelo guarda da mesma, Jerónimo José Leite Mendes e pelo pintor decorativo José Durães, brilhante, tocando no largo a música de Sande e havendo muito fogo fo ar. O juiz de direito, João Barbosa da Fonseca Álvares Pereira, desde as oito até às 12 da noite, teve muitas famílias reunidas em sua casa onde serviu um bom chá.
Data
20 maio 1858