Manuscritos de João Lopes de Faria

João Lopes de Faria (1860-1944)

O ilustre paleógrafo nasceu em Guimrães,  na freguesia da Oliveira, a 21 de setembro 1860, tendo falecido a 7 de novembro de 1944.

Instruíu-se nas primeiras letras, na escola particular do velho professor Francisco António Almeida, que mantinha um curso rudimentar na simpleza das matérias de instrução primária.

Depois educou o seu espírito na paixão do canto e da música, logo de moço, quando aos 8 anos deu rumo de ocupação à sua vida, no ambiente místico e claustral da Insigne e Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, servindo a igreja e os cónegos, na modéstia do seu cargo e com a humildade da sua educação.

Lucínio Fernandes da Trindade, director e regente da capela e da banda de música «Boa união», deu-lhe as primeiras lições de solfejo.

O cónego José de Aquino, linguista e poeta, músico e jornalista, foi quem exerceu grande influência no temperamento artístico de João Lopes, encarreirando a sua vocação cautelosamente, e sempre amparada de auxílios e de ensinamentos.

Mais tarde, já senhor de apreciável cultura musical e de grande treino, discípulo e companheiro do consagrado maestro Padre Eugénio da Costa Araújo Mota, foi um especializado cantor e um apurado organista, que o Cabido escolheu e manteve para prestígio e esplendor das suas antigas festividades corais.

Em 7 de Março de 1889, substituiu oficialmente o organista Francisco Pedro da Costa Rocha Viana, o celebrado musícógrafo mais conhecido por «Venâncio ». Foi o décimo-oitavo e último organista de Nossa Senhora da Oliveira.  A Colegiada era rica de bens, de tradições e de seculares honrarias.

Mas não quedaram as aptidões de João Lopes no culto e exercício da música. E aos 29 anos, já organista da Oliveira, quando era cartorário da Colegiada o simpático e conversador Padre Abílio Augusto de Passos, enveredou pelo caminho da investigação, beneditinamente, sôfregamente.

Treinou-se ali, no difícil valor da paleografia. Copiou todos os documentos de merecimento. Traduziu todos os pergaminhos de arrevesada leitura. Assim caminhou, desde os 29 anos aos 80, nesse labor incessante de investigação, pelo amor da História e da Tradição de Guimarães, durante uma vida estirada de 51 anos, fatigando a vista e o cérebro no debruço constante sôbre os papéis encarquilhados e os livros poeirentos.

Adaptado de Alberto Vieira Braga