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Descrição
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Achamos deveras doloroso o que se está passando nesta cidade relativamente aos preços de diversos géneros alimentícios. Abstraindo-nos por agora de outros, que bem merecem o sacrifício de duas linhas ao correr da pena, vamos referir-nos apenas ao preço da carne de boi, que ultimamente sofreu uma lamentável alta de preço. Não sabemos o motivo de semelhante alta. Em diversas terras da província, a carne de boi (ou de vaca, como queiram chamar-lhe) custa cerca de um terço menos do que aqui. Ainda ultimamente foi chamada a nossa atenção para um anúncio publicado no «Janeiro», em que se mencionavam os preços da carne de 1.ª qualidade a 800 réis cada quilo, a de 2.ª a 740 réis e a de 3.ª a 620 réis. Ora enquanto os de Vila Nova de Gaia, para onde foram estabelecidos estes preços, adquirem esse alimento de primeira necessidade aos preços acima indicados, nós, aqueles que se podem dar ao luxo de comer carne, ou por necessidade adquirida por doença, vamo-la pagando a 900 e 800 réis, respetivamente de 1.ª, 2.ª e 3.ª, pois que só há destes dois preços, se não nos atraiçoa a memória ou a servente nos não engana. (…) Enfim, para tudo tem aparecido, louvado Deus, a cáfila dos desalmados açambarcadores. Tudo se açambarca, tudo se eleva de preço e não há uma alma de Deus que possa abafar esta agiotice, não há uma mão de ferro que abata estas almas daninhas que só pensam no seu engrandecimento, na sua riqueza, não se importando que a pobreza para aí morra à miséria.
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Data
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1918
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Data de emissão
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8/11/1918
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É parte de
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Ecos de Guimarães, 8/11/1918, nº 237, p. 2
Gripe Espanhola