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Descrição
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Como dissemos no nosso último número, a autoridade administrativa procedeu a investigações sobre o caso do cemitério, que nos foi dado ao conhecimento por intermédio de uma carta do sr. J. C. V. Alfazema. Desse inquérito feito ao pessoal do referido cemitério, nada ou quase nada se pode apurar, apesar dos esforços e boa vontade do sr. Administrador do Concelho, que, diga-se em abono da verdade, tratou do caso com o máximo interesse e com a urgência que o mesmo requeria. Os homens encarregados do serviço no Cemitério da Atouguia, chamados à administração do concelho e na presença do nosso diretor, justificaram-se que devido à grande quantidade de cadáveres que ali se aglomeravam por ocasião dos enterros noturnos, nada mais natural que, ao deitarem para o local onde foram encontrados aqueles despojos humanos, os restos dos caixões que depois haviam de ser queimados, fosse juntamente qualquer ossada, sem que dessem por tal, isto devido ao imenso trabalho que tiveram durante a crise mais aguda da epidemia broncopneumónica. Seria assim? Não seria? Não podemos afirmar visto que não há testemunhas visuais. O caso é que tal espetáculo, assaz desumano e lastimável, por alguém foi presenciado, e por isso é necessário o máximo escrúpulo na remoção das ossadas, que constituem os restos mortais dos entes queridos que ali repousam à sombra da Cruz. Ao Sr. Administrador do Cemitério chamamos a atenção para o assunto, a fim de que se não tornem a repetir casos desta natureza, que nos envergonham e denotam uma falta inqualificável de respeito pelos nossos saudosos mortos.
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Data
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1918
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Data de emissão
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10 novembro 1918
10 novembro 1918
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É parte de
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Gil Vicente, 10/11/1918, nº 4, p. 2
Gripe Espanhola