Coleção Coronel José Marcelino Barreira (1887-1948)

Conjunto de itens

Descrição

A familiaridade de José Marcelino Barreira com os postais ilustrados remonta à sua infância, altura em que o pai, o Major Manuel de Jesus Barreira, os utiliza para comunicar com ele e os restantes elementos da família. O postal assume-se, assim, como uma ponte de ligação com o pai que se encontra ausente, a servir nas colónias. São, por isso, guardados como relíquias. Uma vez incorporado no Exército, José Marcelino Barreira vai imitar a atitude do pai e utilizar o postal ilustrado para transmitir mensagens à família, amigos e colegas de profissão. Nesta fase da sua vida, já não se limita a receber e guardar os postais que lhe enviam, e procura pontos de venda, onde seleciona e adquire os que deseja. Apesar de já guardar alguns para si, talvez porque tivessem algum significado particular, ainda não se sobressai como colecionador. A experiência como soldado expedicionário altera essa situação. A descoberta dos cenários e gentes africanas deslumbra o soldado, levando-o a querer imortalizar a sua experiência através da criação de uma coleção de postais, cujas imagens fixam as realidades que presencia. A aquisição de álbuns comprova o desejo de preservar a coleção para o futuro, porque a ela estão associadas experiências e pessoas que fazem parte da sua vida. A partir dos anos 20, o colecionador procura expandir os seus conhecimentos sobre o mundo através do postal ilustrado, inserindo-se em comunidades internacionais de colecionadores. Através de anúncios que coloca em revistas francesas da especialidade (“L’Écho de la Timbrologie”) e dos clubes nos quais se inscreve (“R.E.C.P.”), José Marcelino Barreira entra em contacto com outros colecionadores e concretiza compras e vendas, processos que resultarão no crescimento e enriquecimento da coleção.

Criador

José Marcelino Barreira, o primeiro filho de Manuel de Jesus Barreira e de Laura Emiliana de Oliveira Bastos, nasceu no dia 3 de Junho de 1887, na freguesia de São Paio, em Guimarães. Concluiu o primeiro ano da instrução primária na cidade, passando depois para o Real Colégio Militar, em 1898, onde continuou a sua formação até terminar o curso que o habilitou como 3.º Comandante de Secção, a 2 de agosto de 1904. Assentou praça no Regimento de Infantaria N.º 20, aquartelado em Guimarães, e frequentou o curso de infantaria na Escola do Exército, terminando-o três anos mais tarde. Em 1908, foi promovido a Alferes e, em 1910, a Tenente. Em março desse ano, concretizou-se a sua primeira comissão de serviço nas colónias africanas, designadamente em Angola e, mais tarde, em Moçambique. No dia 18 de outubro de 1915, casou-se com Maria José de Oliveira Vale Marto, também natural de Guimarães. Em setembro de 1916, foi promovido a Capitão, em 1928, a Major, em 1937, a Tenente-Coronel e, em 1941, a Coronel. A sua atividade profissional, enquanto oficial do exército português, reflete-se na sua folha de serviço, preenchida com os inúmeros cargos desempenhados na Escola do Exército e em várias companhias e batalhões, em Portugal e África, mas também com os prémios, louvores e condecorações que recebeu ao longo da sua carreira militar. O Coronel José Marcelino Barreira passou à reserva em 1941 e faleceu no dia 14 de setembro de 1948, vítima de uma pleurisia.

Itens

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