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Descrição
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À noite foi depositado na capela do depósito do hospital da Misericórdia de Lamego o cadáver de Jerónimo Marques, natural de Guimarães, negociante de ferragens. No seguinte dia 10, logo de manhã, concorreram por intervalos diversos do povo, que tinham tido mais ou menos relações de amizade ou vizinhança com o defunto, observando-o e lamentando-o, espalhando um sussurro de que ele tinha morrido envenenado; e explicavam a origem dizendo: - que mandando o amo ao moço fazer café, e, apresentando-lho, como o dito café estivesse muito quente, o amo principiou a tomá-lo às colheres; - mas como lhe achasse um gosto repugante o madou retirar, dizendo ao moço, que o café não estava bom, ao que este lhe tornou em resposta, que ele amo o tomaria como efectivamente fez, seguindo-se a isto as desordens fisiológicas consequentes da ingestão dos venenos corrosivos na economia animal e a morte. Ao meio dia do mesmo dia 10, foi feita autópsia ao cadáver, na presença das autoridades judiciais, cujo resultado químico mostrou que o dito Jerónimo Marques foi vítima da acção venenosa do óxido branco de arsénico. - Periódico dos Pobres no Porto -