-
Descrição
-
Os vereadores da Câmara de Guimarães dirigem uma carta a D. Pedro II pedindo a aprovação das resoluções que eles conjuntamente com o juiz de fora haviam tomado àcerca da contenda entre o povo e os industriais de tinturaria, resoluções tomadas contra estes em consequência das razões que aquele apresentava, reforçadas com ameaças de morte. Estas razões eram: que, visto os capítulos de acusação estarem provados contra o ofício dos tintureiros, nem mais uma hora consentia (o povo) as fornalhas que consumiam a lenha que era remédio da pobreza; que não queria mais se tingissem panos, porque esta operação, disfarçando a qualidade da coisa, os tornava de pouca consistência e duração, e que, de mais a mais, os tintureiros haviam assentado as oficinas junto a "um pobre regato (o chamado rio da Vila ou Selho) remédio e regalo antigamente desta Vila, onde lavavam os tingidos, e, como a principal tinta era o trovisco, erva tão forte que tudo o que toca corta, e outros ingredientes pestilenciais, infeccionaram de tal sorte o ribeiro que morreram os peixes e afugentaram as rãs, de modo que, regando esta água os pastos para os gados, não só secaram com as árvores que neles havia, mais ainda as reses que bebiam nesta água morriam todas". Nestas e noutras razões, assim como no foral que D. Henrique concedera a Guimarães, procurou a Câmara justificar as resoluções que tomara e cuja aprovação pediam a D. Pedro II.