Efeméride de 15-02-1820

Descrição
De uma devassa a que por mandado do juiz de fora se procedeu em 17 de Fevereiro de 1820, apurou-se o seguinte: Francisco Morais, solteiro, fiteiro, da rua da Cruz da Pedra, freguesia de Creixomil, na Terça-feira 15 de Fevereiro de 1820 às 10 horas da noite estando à sua porta conversando com vizinhos, chegaram armados de paus e chuços seis homens, a saber: João da Costa, barbeiro, do terreiro da Misericórdia; João António, solteiro, filho da Calimborna, morador ao pé da Alfândega; João da Silva, oleiro, filho de Manuel da Silva, de Trás Gaia; Mateus Soares, soldado do regimento desta Vila, filho de João Soares - o Rossas - da rua de Gatos; Bento Alves, oleiro, da rua da rua da Cruz de Pedra; José, solteiro - o Basto -, oficial de ferreiro, morador no alto da Cruz de Pedra, e lhe bateram na cabeça e corpo, fazendo-lhe no alto da cabeça uma ferida do comprimento de um palmo e de largura de dois dedos com couro e carne cortada que deitou muito sangue, e outra ferida no meio das costas de largura de dois dedos e do mesmo comprimento, que também deitou copioso sangue, feitas com instrumento contundente. Eles chegaram ao Morais a entenderem-se, e ele lhes respondeu que fossem pelo seu caminho que ele estava à porta e não os ofendia; logo lhe bateram, ele berrou à d'el-Rei, acudiu gente e eles fugiram. Eles todas as noites andavam juntos a fazerem desordens, porque eram solteiros e andavam a assistir a umas moças da Madrôa. Também feriram numa mão o vizinho Fortunato Martins fiteiro. O juiz de fora, em 16 de Março de 1820 despacha: que o escrivão os tenha no rol com as ordens necessárias para a sua prisão, preparando a culpa em 1º do soldado para ir para o seu regimento.