Efeméride de 01-03-1120

Descrição
Tendo S. Bernardo, Abade de Cister, enviado a Portugal oito religiosos seus, franceses, com uma carta para o Santo ermitão João Cerita, a fim de tomarem assento da sua Ordem em Portugal, vieram todos nove a Guimarães, onde estava a corte, pedir para tal obra a licença e protecção a D. Afonso Henriques que neste dia, depois de lhes ter dado hospedagem alguns dias, lhes deu o documento, como eles desejavam, na forma seguinte: - "Afonsus gloriosissimus Deux & Dei gratia Portugalensium Princeps, Illustris Comitis Henrici, & Reginae Theresiae filius, Magni quoque Alfonsi nepos. Pro remedio animae mede, & parentum meorum, facio vobis Abbati Joanni Ceritae, & patribus, qui vobiscum sunt, cartam, & cautum, ne quis vos impediat, quod vadatis, & faciatis Monasterium Ordinis Sancti Benedicti de nova reformatione; de isto modo, quod sólum ubi feceritis sit nostri dominy, & si de alieno fuerit, ematur de nostro avere. Et si aliquis de vassallis nostris, vel de militibus contra hoc venerit, sit maledictus à Deo, & cum Juda traditore in infernum tortus. Facta carta cauti apud Vimaranes cal. Mart. era 1158. Ego supradictus Princeps hanc cartam proprys manibus roboro". Tradução: "Afonso Capitão gloriosíssimo, e por graça de Deus Príncipe dos Portugueses, filho do ilustre Conde Henrique e da Rainha Dona Teresa, neto do grande Rei D. Afonso. Por remédio de minha alma, e de meus antepassados concedo a vós Abade João Cerita, e aos Religiosos, que vêm em vossa companhia, a presente carta de Couto, para que ninguém vos possa impedir irdes fundar um Mosteiro da Ordem de S. Bento debaixo da reformação nova, sendo o sítio dele dentro das nossas terras, e senhorios; e acontecendo fundar-se em lugar alheio, se comprará o assento à nossa própria custa. E se alguns de nossos vassalos, ou nossos soldados vier contra isso que concedemos, incorra na maldição de Deus, e seja condenado no inferno em companhia de Judas, o traidor. Foi feita esta carta, e Couto em Guimarães o primeiro de Março, na era de César de 1158. Eu sobredito Príncipe confirmo, e fortaleço esta carta com minha própria mão". - Crónica de Cister, livro 2º, capítulo 2º -