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Descrição
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Julgamento dos três hereges de Lordelo, entrando na conta o capataz, um carpinteiro que na inteligência e probidade podia ser apresentado como um modelo dos artistas. Era um maníaco religioso, que se afastava em alguns pontos das doutrinas católicas, principalmente em não admitir a confissão auricular. O homem salva-se pela inocência ou pela penitência, dizia ele. Não se julgando entre os da 1ª categoria, penitenciava-se todas as noites e achava grave pecado que a criatura passasse regaladamente uma noite inteira, sem a intervalar com uma dose de disciplinas. Maior penitência que esta lhe tinham dado os seus patrícios, correndo-o frequentes vezes à lapada, mas, como a ele e a seus discípulos nenhuma lhe tivesse ainda acertado, tomava este caso por milagre e mais se convencia de que andava nas vias de Deus. Prescindiu das testemunhas de defesa, porque sabia que o depoimento que íam dar a seu favor as tornaria mal vistas na freguesia e não queria que sofressem por sua causa; além de que não era nos homens, mas em Deus que ele confiava. O Ministério Público andou perfeitamente na acusação. Os réus foram condenados em 25 dias de prisão. Quando eram conduzidos do tribunal para a cadeia, foi preciso, à Porta da Vila recolherem-nos dentro de uma loja e pedir reforço de tropa para os livrar do furor da populaça, que não era digna de certo de desatar as correias dos sapatos do "capital", como os discípulos apelidavam o carpinteiro. - "O Vimaranense" - Os condenados foram António José Ferreira, carpinteiro, António Pereira Cardoso, casado, carpinteiro, do lugar de Lebazim, e José Rodrigues, casado, jornaleiro, do lugar de Lebazim todos três de Lordelo -