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Descrição
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O provedor da Misericórdia: Fortunato Cardoso de Menezes Barreto, da Casa do Proposto, professo na Ordem de Cristo e major comandante do batalhão de voluntários realistas desta Vila, propôs à mesa: "que segundo os Estatutos que regem a administração desta Santa Casa, estavam sujeitos ao risco, todos os irmãos dela, que se achassem ausentes; e porque não havia notícia certa da estada, ou domicílio do Cónego João Baptista Gonçalves, de José Fortunato Ferreira de Castro, de Joaquim Pinto Teixeira de Carvalho, de Jerónimo Vaz Vieira de Melo e Alvim, de Manuel José Ferreira Marranico, de José Joaquim de Sousa Peralta, de Mateus de Passos Lima, sapateiro, e de Domingos José Soares, acrescendo a isto o ser público e bem notório que todos estes se achavam envolvidos em crimes políticos, e alguns já presos por matéria de rebelião, contra a Augusta Soberania d'el-Rei o senhor D. Miguel I nosso Senhor, e Protector desta Santa Casa". A mesa tendo ouvido e atentamente ponderado relativo a cada um dos sobreditos irmãos, unanimemente resolveram que fossem riscados. (seguem-se muitas linhas trancadas de tal forma que é impossível saber o que elas dizem) e segue: "José Fortunato Ferreira de Castro este por ter parte na Rebelião do Porto onde fez actos de Magistratura durante a mesma Rebelião por quem foi escolhido para isso para o exercício e emprego de Juiz do Crime da mesma cidade, a Jerónimo Vaz da Silva Vieira e Alvim por se ter feito chefe e declarado Comandante de homens Rebeldes armados dirigidos contra el-Rei nosso Senhor, a Joaquim Pinto Teixeira de Carvalho, Mateus de Passos Lima sapateiro, Manuel José Ferreira Marranico, Domingos José Soares, e José Joaquim de Sousa Peralta, alguns destes já presos, e outros refugiados como inimigos d'el-Rei, o que manifestaram pelos frequentes factos que escandalosamente praticaram em todas as Rebeliões, e principalmente na última de Maio de 1828 em que muito se distinguiram contra o Legítimo Governo do sr. D. Miguel I prestando-se ao serviço dos rebeldes muito espontaneamente e por tão extraordinários e escandalosos crimes que tem já motivado como é sabido, o sequestro de seus bens, e além disso por ser inteiramente revoltosos ao serviço desta mesma Santa Casa por isso muito convinha ao serviço de Deus e de Nossa Senhora, e que segundo os Estatutos desta Santa Casa semelhantes indivíduos não tivessem o nome de irmãos dela, e como tais fossem riscados ficando entendido que de agora em diante não seriam mais considerados para serviço algum, e que o escrivão desta mesa cobrisse e riscasse seus nomes nos assentos da mesma, porque de facto consideravam tais indivíduos por inteiramente perigosos e prejudiciais ao serviço desta Santa Casa, e para constar mandaram fazer este termo que assinaram comigo Francisco Filipe de Sousa da Silveira escrivão da mesa que o escrevi. Francisco Filipe de Sousa da Silveira - Fortunato Cardoso de Menezes Barreto, provedor - Francisco José Fernandes da Silva - António Manuel Martins Nogueira - José Joaquim da Silva Pinheiro - Francisco José Fernandes Soares Araújo - João Pereira da Costa - Manuel José do Sacramento - o beneficiado António José de Freitas Rangel".