Efeméride de 20-03-1863

Descrição
Sexta-feira - Inauguram-se, com assistência do governador civil e seu secretário-geral, Câmara e alguns cavalheiros desta cidade (as corporações religiosas e muitos cavalheiros que tiveram convite, abstiveram-se de ir, em sinal de protesto pela remoção do Padrão), os trabalhos da reconstrução da rua de Gatos (Entre os Regatos) hoje de D. João I, principiando pela remoção do glorioso monumento da tomada de Ceuta, que neste dia começou a ser apiado. O acto foi feito com toda a solenidade e aparato. Os habitantes da rua de S. Domingos e os da rua que ia ser reconstruída, como tendo a principal parte nos projectados melhoramentos, mandaram erigir um arco à entrada da rua de S. Domingos, cobriram as janelas das suas casas com damasco e seda, iluminaram à noite as fachadas das mesmas, mandaram lançar ao ar bastantes dúzias de foguetes e tocar no largo de S. Lázaro até as 11 horas da noite a banda de música da terra. No largo de S. Lázaro esteve levantado um singelo mas elegante pavilhão, onde se havia lavrar o auto do assento da 1ª pedra para a remoção do monumento. Ao meio-dia saiu dos paços do Concelho a Câmara incorporada com a sua bandeira na frente, conduzida pelo fiscal, dr. Manuel Isidoro da Costa Vaz Vieira, governador civil e seu secretário-geral, e na retaguarda tocando a banda de música da terra. Chegados a S. Lázaro, onde tinha afluído imensa concorrência de meros espectadores, procedeu-se à cerimónia da bênção da 1ª pedra, que se lançou no local para onde ia ser removido o monumento. Oficiou o arcipreste do julgado eclesiástico. Em seguida foi lançado o cimento com uma colher de prata pelo governador civil primeiramente, e depois, pelo secretário-geral, administrador do Concelho, autoridades judiciais e Presidente da Câmara. Seguiu-se a leitura da acta, finda a qual, o governador civil tomou a palavra, para declarar que dali em diante aquela rua se denominava - rua D. João I - e levantou os seguintes vivas - à Carta constitucional, ao Rei D. Luís I, e ao progresso e melhoramento da sempre nobre e mui distinta cidade de Guimarães (Que tal este progresso e melhoramento que muda um monumento tão histórico, para reconstruir ficando tortuosa ainda uma rua?!!). Eram duas horas quando acabou este aparatoso acto. O governador civil regressou de Fafe para onde tinha ido no dia 17 assistir à abertura do novo hospital, hoje às 10 horas da manhã, e retirou para Braga na manhã do dia seguinte 21.