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Descrição
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Tem esta data uma Poesia oferecida por D. Ana A. de Sá à sua amiga D. Ana Elvira de Freitas - no claustro de Santa Clara de Guimarães: - 1) Oh! Tu queres que descreva | Do claustro as impressões? | Queres que tire na lira | Sepulcrais meditações? | Oh! minha Elvira, e não temes | Ouvir tão tristes canções?! § 2) Não ouves à solidão | Em calado repousar: | "Habitação de finados | É este triste lugar!" | E o coração não te bate | Com agitado pulsar? § 3) O piar dos passarinhos, | Uma fonte que ali murmura, | E a sombra das colunas, | Da laranjeira a verdura | Não te está desafiando | A mais profunda tristura? § 4) E além na capelinha |Vês um cintilar? | Que te diz "Eis como a vida | Ainda tens a fulgurar! | Como este esse fulgor. | Tu hás-de ver apagar!" § 5) O mesmo te diz a rosa | Que ali vês a verejar! | - Ainda no viço da vida | Nos vemos desabrochar! | Ainda de amor e ternura | Sentimos dor e folgar! § 6) Mas em breve o vendaval | A mim me desfolhará! | E o tempo tragador | Teus dias consumirá! | E assim como estes dormem | "Nosso sono ainda virá!!" § 7) Então para o sepulcro | Não vais olhar com horror? | E não percebes dizer-te | "Vem teu termo aqui depor! | Do que tu hoje mais amas | Eu serei consumidor!!" § 8) Ah! Elvira, esta verdade | É terrível de escutar! | E queres que eu vá com ela | Teus seios de alma calar? | Oh! não queiras, que me poupas | Um saudoso recordar!!... § 9) Eu sinto de uma saudade | O bem amargo punjir! | Minha Elvira, eu sinto na alma | Quanto se pode sentir! | Uma falta que no mundo | Ninguém me pode suprir... § 10) De um Pai, de uma Mãe os mimos | Quem pode tornar achar! | E quem pode ao coração | Um tal roubo suportar! | Só de um Deus ser vontade | É que pode consolar!!... § Guimarães 21 de Março de 1850 § Ana A. de Sá.