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Descrição
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Ao cair da noite chegaram a esta cidade telegramas de Lisboa anunciando que o Presidente do conselho, José Luciano de Castro, na sessão da Câmara electiva, de hoje, em que se tratou da questão Brácaro-Vimaranense, em resposta ao nosso deputado João Franco, dissera que o governo tencionava dirimir o conflito entre Guimarães e Braga por uma nova reforma administrativa, em que se concederia aos centros populosos importantes uma organização com regímen municipal, independente, semelhante ao que a Lei de 18 de Julho de 1885 estabelecera para o município de Lisboa, com as necessárias modificações. - Era a autonomia em que há dias se falava por aqui com muita insistência. Estas notícias causaram extraordinária sensação, e principiaram logo a formar-se numerosos grupos, em que cada um procurava informar-se mais circunstanciadamente delas e as comentava com relação à posição que Guimarães tinha conservado no conflito, e à que, depois delas, lhe conviria continuar a manter. Pouco tempo depois os grupos foram-se encaminhando para defronte da casa onde funcionava a comissão de vigilância (na rua da Rainha, reunindo-se ali talvez 900 pessoas, com o intuito de saberem da referida comissão o que se passava e ouvirem dela as indispensáveis explicações. Domingos Leite de Castro leu então ao povo, da janela, os telegramas recebidos, explicando as intenções do governo. O povo respondeu - separação completa de Braga -, não se mostrando completamente satisfeito com promessas e declarações do governo, por não satisfazerem totalmente às suas aspirações nem ao pundonor e dignidade do Concelho, nem se determiar o tempo em que o governo se comprometia a realizá-las. Soltaram-se vivas à união ao Porto, à dignidade e brio de Guimarães e outros. Depois o povo principiou a dispersar, conservando-se ainda por ali, e por outras partes, numerosos grupos em animada e calorosa discussão, até altas horas da noite. (Vide no verso desta)