Efeméride de 29-03-1834

Descrição
Diz o "Pobres no Porto", Porto - Tendo o Exmº Barão de Vila Pouca feita em Vieira no dia 24 do corrente a aclamação da Rainha a Srª D. Maria II, passou no dia 25 para os Pousadouros a fim de reunir gente que por aqueles sítios se acha disposta e combinada, e chegou com efeito a juntar uns 200 homens, todos armados e possuídos do melhor espírito: nesse mesmo dia foram avisados, de que nessa noite iam ser atacados por uma Guerrilha que tinha chegado à Póvoa, mandada pelo Raimundo para esse fim, composta de uns 400 homens e alguma cavalaria e uma peça; então o Barão vendo que a força rebelde lhe era muito superior, e além disso que a sua não tinha munições, deu-lhe ordem para que se dispersasse, e ele com 12 dos seus companheiros na madrugada de 26 marcharam para a Galiza. Passando em Covide no mesmo dia, e sendo avistados pelo Padre Manuel José de Freitas, da casa do Passadiço, acérrimo miguelista, que suposto os não conheceu logo supôs que eram constitucionais que iam fugindo, avisou o juiz para reunir gente, o que com efeito fez, e os seguiram uns 80 homens até dentro da Galiza, onde os prenderam, debaixo de fogo, no sítio de Esmoroar, defronte de Torneios. Na noite desse dia vieram dormir presos à Carvalheira, onde puderam comprar alguns dos guardas, e dali se escaparam seis; no dia 27 foram conduzidos por 30 guerrilhas armados para o lugar de Covas, acima de Caldelas, onde pernoitaram. Porém sendo o Barão e alguns dos seus seis companheiros bem conhecidos naquele sítio, se reuniram alguns paisanos, e enquanto os guerrilhas estavam comendo, puderam surpreendê-los, agarrar-lhes as armas e quebrar-lhas, o que deu lugar a que os presos se escapassem; e chegaram ontem à noite a esta cidade. E porque a vinda do Barão e de seus companheiros pode dar lugar aos que não estiverem ao facto do que se passou, a que a pintem com cores desagradáveis, por isso fizemos esta sucinta exposição relatada por um dos que vieram, para que o público fique ao facto do que se passou. Entretanto podemos asseverar, que o mesmo Barão e os seus companheiros vão partir com toda a brevidade para os mesmos sítios, levando daqui tudo quanto lhes for necessário para o armamento e municiamento de todos os portugueses fiéis que por ali há e que estão dispostos e prontos a defender a Legítima Causa de Sua Majestade F. a Srª D. Maria II, esperamos que em breve estarão todos reunidos e às mãos com o inimigo.