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Descrição
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A "Religião e Pátria" no seu nº 42 da 7ª série, relata circunstanciadamente as ocorrências na feira deste dia quatro, na forma seguinte: - Sábado - "De manhã principiou a notar-se na feira agitação entre o povo, e a manifestar-se animosidade da parte deste contra os compradores de milho por grosso. Ao meio-dia o sr. administrador do Concelho apareceu no mercado, e principiou logo a ser rodeado pela multidão, que começava a mostrar-se cada vez mais inquieta. Para prevenção mandou o sr. administrador ao quartel requisitar alguma força, vindo efectivamente trinta praças, que se colocaram fora do mercado, mas em sítio próximo, de onde podiam prontamente acudir a qualquer movimento que aparecesse. A notícia da chegada da força, exaltou mais os ânimos, e os tumultos rebentaram logo com violência. O sr. administrador, cercado por numerosa multidão, foi insultado de palavras e acções ( ), e posto em sérios apertos, entre horríssona gritaria de "morras" etc. Algumas pessoas que tentavam libertá-lo do assédio que os tumultuosos lhe tinha feito, foram também insultadas e ameaçadas. Em seguida alguns homens armados de paus, que tinham tirado a uma mulher que os vendia, correram o mercado em tumultuosa correria, e encontrando no fim do campo um padeiro com algumas bestas carregadas, principiaram a espancá-lo deixando-o só depois que averiguaram que as cargas eram de trigo. Nesta ocasião chegaram as trinta praças que estavam de prevenção, mas foram logo rodeados por a multidão que gritava - tropa a quartéis, tropa a quartéis. O comandante desta força, vendo que o povo não cedia às instâncias suas, do administrador do Concelho e de outras pessoas que o rodeavam, e que pelo contrário o tumulto cada vez tomava proporções mais assustadoras, pôs a força em guarda, e requisitou auxílio. Estiveram as coisas assim por algum tempo, até que chegou o sr. tenente-coronel do 16 com o resto da força que estava no quartel. À chegada desta força os tumultos recresceram. Os desordeiros sem respeitarem a autoridade nem a força pública, principiaram de novo em vivas e morras. O sr. tenente-coronel quis ver, se fazendo algumas prisões, represava a onda tumultuária, mas o povo indignou-se mais, e ninguém foi preso. Este sinal de fraqueza animou a desordem. Principiaram a cair pedras sobre a força, e sobre os grupos em que andavam o sr. administrador do Concelho, tenente-coronel e outras pessoas tentando persuadir o povo a que se retirasse em paz. Sobre um grupo em que estava o sr. administrador do Concelho caíram algumas pauladas, que deram nele e nos indivíduos que os rodeavam. O sr. tenente-coronel mandou então carregar armas. A esta voz os grupos dispersaram, mas principiaram a tocar a rebate os sinos da igreja de S. Francisco. Uma força que ali correu obstou a que este toque continuasse, mas quando regressava o Sr. Manuel Joaquim Ferreira ( ) que a tinha acompanhado, recebeu uma forte pedrada na cabeça. Os tumultos, que duravam há três horas, começaram então a perder de intensidade. Ainda assim o Sr. Jerónimo de São Carlos, que, com um revólver na mão, quis conter em respeito um desordeiro e prendê-lo, sofreu algumas pedradas e insultos. O povo foi depois dispersando pouco e pouco, mas a força esteve no campo até depois das cinco horas. A autoridade foi pois ali impunemente desacatada e insultada, pelo povo que ainda há pouco a vitoriava em aclamações de entusiasmo! Não admira! O povo aprendeu a desprezar a força moral da autoridade e a importar-se pouco com o seu prestígio, desde que o ensinaram a rasgar os editais que ela mandou afixar nos lugares públicos para os substituir por outros de uma comissão de legisladores improvisados, e desde que pagaram a alguns mercenários o exercício do ofício de "gatos pingados" nos enterros "farsas" de um ministro de estado! Semearam ventos, colhem tempestades".