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Descrição
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"Sublevou-se a freguesia de Balazar e depois as de Sande, Caldelas, S. João de Ponte e outras até chegar a Santa Eulália de Fermentões subúrbios desta Vila, tocando os sinos a rebate em todas, e juntando-se muitas mulheres, e alguns homens, aquelas armadas de paus e pedras, e estes de espingardas, dando vivas à Rainha, e dando morras ao ministro de estado Cabral, dizendo que tributos abaixo e nada de estradas, chegando esta gente até à ponte de Santa Luzia dando tiros e fazendo uma grande algazarra, pondo a Vila em grande susto. O administrador do Concelho tendo notícia do atentado desta gente, mandou a polícia desta Vila para os fazer conter e evitar que não entrassem na Vila, e chegando a polícia à ponte de Santa Luzia e vendo que esta miserável gente se esforçava para entrar na Vila deu-lhe fogo, matando dois homens e ficando outro ferido, trazendo um preso que se dizia trazer uma Bandeira, fazendo fugir o resto. Os sublevados tinham feito tocar a rebate todos os sinos das torres por onde tinham passado, chegando a tocar a rebate em Santa Eulália, e Senhora da Conceição, assim com tinham ido a casa de todos os regedores para lhe darem todas as armas da polícia e todos os impressos da Décima que lhe tinham sido dados para entregar aos Povos, os quais tinham dado muito que falar por ser uma coisa nova. À noite o administrador do Concelho junto com a polícia e empregados e alguns particulares estiveram armados no terreiro da Misericórdia para prevenirem alguma tentativa dos sublevados, ou de outros quaisquer inimigos da ordem pública. Na refrega desta tarde foi só morto um homem pobre que estava na estrada, que por acaso lhe acertou uma bala, e dois foram feridos um gravemente em uma perna, e o outro levemente em um calcanhar". P.L. Nota à margem: "Pinho Leal diz que a Revolução do Minho começo em 15 de Abril na Vila do Prado; mas por estes apontamentos vê-se que ela é anterior, pois já neste dia 14 ela começou no Concelho de Guimarães". P.L.