Efeméride de 23-04-1857

Descrição
Na noite de 23 para 24, por ordem do general da 3ª e 4ª divisão militar, saiu para Amarante um destacamento de 60 baionetas de caçadores 7 comandadas por um capitão, para prestar auxílio às autoridades administrativas, em consequência dos tumultos populares para obter a saída do pão para Trás-os-Montes. No dia 24 conservou-se na Lixa; no dia 25 ficou em Amarante; no dia 26 requisitado pela autoridade marchou para a freguesia do extinto Convento de Travanca, onde se achavam quatro carros de milho embargados pelo povo, que havia desprezado os rogos dos cavalheiros da localidade. O povo estava à missa, e, na saída, gritou à tropa que o pão não saía dali. A tropa tomou posição que dominava o pátio e adro da igreja, e a autoridade mandou intimar o povo, por 12 soldados com seu oficial inferior, que dispersasse dentro em duas horas. A tropa foi escarnecida e apupada. Tocaram os sinos a rebate no meio de gritos "larga as armas". Findas as duas horas recebeu nova intimação com ameaças que foram desprezadas, pretendendo desarmar-se a tropa. O tenente Oliveira chegou com reforço; mas suas palavras e força que o acompanhava não foram mais respeitadas, antes viu cair o seu próprio camarada com uma pedrada. Mandou então carregar à baioneta. Algumas foram pelos ares e o sargento caiu com um tiro de pistola. A tropa correspondeu com uma descarga e com nova carga de baioneta, que fez dispersar a multidão. Foi ficar a Vila Meã, onde chegou com muitos presos, pela maior parte mulheres. No dia 27 regressou a Amarante. A tropa teve dois feridos, o sargento Freitas e um soldado. Do povo morreram dois homens e uma ou duas mulheres, ficando além disso uns 12 feridos de ambos os sexos. O destacamento voltou para Guimarães em 3 de Agosto do mesmo ano.