Efeméride de 02-05-1694

Descrição
Gualter de Nazaré e outros devotos, moradores na cidade do Porto, tendo alcançado licença do D. Prior para colocarem na igreja da Colegiada uma imagem do Senhor da Agonia, para o que tinham mandado fazer uma tribuna, requerendo ao dito D. Prior para que ele e os seus súbditos acompanhe na tarde deste dia a solene procissão em que a referida Imagem, que vinha do Porto, era conduzida para a Colegiada e aí colocada no local (em que ainda está) com toda a pompa e aparato, para o que estavam convidadas todas as comunidades e Irmandades da Vila. O D. Prior despachou o requerimento, ordenando ao seu escrivão notificasse a todos os Cónegos, Padres capinhas e mais súbditos, que sob pena de 20 cruzados e 20 dias de cadeia, o acompanhem em corpo de comunidade na dita procissão. Esta ordem foi notificada ao Cabido pelo escrivão Dâmaso da Costa, às sete horas da manhã; o Cabido em sessão às duas horas da tarde requereu ao notário apostólico João Pinto, lhe tomasse protesto que só por devoção e serviço do Bom Jesus o ia buscar, sem que com isto fosse prejudicado todo o seu direito, nem pudesse alguém aproveitar-se de semelhante acto para encontrar a jurisdição dele Cabido, nem menos a respeito da causa de S. Nicolau que trazia e estava pendente, pois também tinha dado as mesmas licenças o D. Prior aos supraditos devotos para a colocação da Imagem. Seguiu-se uma apelação do Cabido para a relação de Braga, que por acórdão de 15 de Março de 1695, revogou o despacho, por a procissão não ser das do estatuto da Colegiada, nem daquelas que os prelados podem por direito obrigar os seus súbditos a acompanhar.