-
Descrição
-
Em a noite de quatro para cinco, à uma hora da noite, indo numa carruagem para a Casa do Costeado, António de Nápoles Vaz Vieira, sua esposa, cunhada e uma sua sobrinha, filha de seu irmão José de Nápoles, quando passavam defronte da viela do Ramalhete, ou das Dominicas, foi-lhes disparado por um sujeito um tiro de bala e quartos para a sege, que acertando na sobrinha, a deixou tal mal ferida (a bala atravessou-lhe o coração tendo-a ferida no coração), que chegando a casa, já não dava sinais de vida. Esta família vinha de uma companhia que houve em casa de João de Melo Pereira Sampaio. Este caso produziu grande sensação na Vila, e várias conjecturas se formaram a tal respeito, porque a infeliz menina, que tinha 18 anos e chamava-se D. Maria Júlia, disputava a herança da Casa do Toural de seu tio Jerónimo Vaz Vieira. O seu cadáver foi depositado no dia seis, na igreja de S. Domingos, e sepultado no mesmo dia, na capela dos Terceiros Dominicos, em jazigo de família. Ao descer à sepultura foram-lhe prestadas honras fúnebres por uma companhia do batalhão de infantaria 14, a qual deu as descargas do estilo, por a falecida ser filha de um capitão do exército. P.L. A "Revolução de Setembro" diz que foi na noite de três para quatro, e que a menina tinha 16 anos. Apêndice: era Terça-feira - foi à uma hora da noite - António de Nápoles Vaz Vieira - José de Melo Pereira Sampaio - viela do Ramalhete - a bala atravessou-lhe o coração tendo-a ferido no braço - Disputava a herança da Casa do Toural de seu tio Jerónimo Vaz Vieira. - Extraído do "Periódico dos Pobres no Porto" - J.L.F.