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Descrição
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Às oito horas da noite, alguns moradores da rua de Val-de-Donas, alvoraçados por gritos de quem parecia afrontado, e correndo a acudir, encontraram estendido no chão com o rosto todo ensanguentado um homem, a quem dois ou três soldados do destacamento de infantaria 8 aqui estacinado zurriam com coronhadas, sendo tal a sanha destes bárbaros que se o socorro não viesse tanto a tempo acabariam ali com o desgraçado. O homem vinha preso, e, por se não terem tomado as necessárias precauções, conseguira no Largo de S. Bento evadir-se; a poucos passos teve a infelicidade de cair, foi agarrado pelos soldados que descarregaram então sobre o corpo do desventurado todos os efeitos da sua bilis irritada. Pelo registo da cadeia, o único preso que neste dia ali entrou foi Francisco Barreiro, solteiro, alfaiate, de 31 a 32 anos, natural de Vila de Corcobiom (?), Galiza, residente desde pequeno na travessa da Victória, da cidade do Porto, que declarou o prenderam por lhe acharem um cavalo que ele tinha comprado na feira em Famalicão a um homem por três soberanos e meio e que o dito cavalo era roubado mas ele não sabia. Foi remetido pelo administrador deste Concelho ao de Famalicão em 24 deste mês e ano.