-
Descrição
-
Domingo - Às nove e meia horas da noite gritos fora do Café Fernandes, à Porta da Vila e ao mesmo tempo uma multidão entrava de tropel e procurava refúgio. Havia forte tiroteio no cimo da rua da Rainha. Patrulhas de soldados armados de Mauser que por ordem do comando militar se encontravam dispersas por as mais principais ruas da cidade. Explodiu uma bomba próximo do Centro Democrático. Danificou bastante a parede do prédio onde vivia a amásia do António José Ribeiro o Bravo e as janelas ficaram estilhaçadas. Próximo, um pouco à esquerda, estendido no chão, sem chapéu, envolto num mar de sangue, o surrador António Machado, casado, de 40 anos e morador na travessa do Monte Pio, morreu com uma bala. No Eirado do Forno outro infeliz, era o oficial de barbeiro, Zacarias da Silva Ribeiro, solteiro, de 28 anos; tinha no pescoço um grande ferimento, morreu com um estilhaço de bomba. Recolheram ao hospital da Misericórdia gravemente feridos com estilhaços de bomba: Sebastião Pinto Salvador, de 36 anos, solteiro, ferrador, da rua de Donães, e Aníbal Ribeiro Soares, de 24 anos, curtidor, casado, da rua Trindade Coelho. Também ali foram receber curativo diversos indivíduos, uns feridos por bala, outros com estilhaços de bomba. Nesta noite e no acto dos acontecimentos, foram presos seis operários e soltos no dia seguinte.