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Descrição
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De manhã retiraram de Guimarães em direcção a Santo Tirso, a Rainha D. Maria II, D. Fernando, o Príncipe Real D. Pedro V e o Infante D. Luís. Os vizelenses esperavam ter a honra de receber a visita dos mesmos, por petição que para isso fizeram, a fim de ter ocasião de lhes entregar duas representações, uma em que pediam fossem as Caldas elevadas à categoria de Reais e de Vila e outra em que pediam fosse ali criado um Concelho com parte dos de Guimarães, Barrosas e Negrelos, incluindo-se em outros contíguos as demais freguesias dos dois últimos, mas tiveram o desgosto de lhe ficarem malogrados os seus desejos, pois tal visita não se realizou, como se lê na correspondência seguinte: - "Caldas de Vizela 17 de Maio de 1852. Os moradores das duas freguesias das Caldas de Vizela, S. Miguel e S. João, desejosos porque Suas Majestades vissem a riqueza das águas medicinais que neste terreno há, dirigiram uma representação a Suas Majestades vissem a riqueza de águas medicinais que neste terreno há, dirigiram uma representação a Sua Majestade que lhe foi entregue em Vila Nova de Famalicão, que Sua Majestade se dignou aceitar tão sincero convite. Logo que foi sabido nomearam uma comissão dos principais moradores destas duas freguesias, e para Presidente o Reverendo Abade Miguel Joaquim de Sá, de S. Miguel das Caldas, cuja comissão além do trabalho nos preparativos havia de receber Sua Majestade e dirigir-lhe a felicitação. Foram levantados quatro arcos desde a Botica até à Lameda, todos eles de bom gosto e trabalho e dois no caminho para os banhos de Mourisco à ponte das Caldas. No meio da Lameda foram colocadas quatro cadeiras ricamente vestidas debaixo de um rico docel, e num estrado elevado destinadas a Suas Majestades e Altezas para disfrutarem a deliciosa vista deste ameno sítio, e os demais bancos que formam o quadro do centro da Lameda forrados de damasco vermelho. Fizeram aprontar a linda casa de Velmenso tapetada toda de baeta carmesim, e as portadas com dasmasco, tendo também quatro cadeiras ricamente vestidas, e a sala destinada a Suas Majestades e Altezas descansar, guarnecida de jarrões da Índia e jarras com flores, as janelas todas embandeiradas e adamascadas. Ao entrar esparava a comissão com seu Presidente e uma boa música instrumental. Estavam já mais de mil pessoas que a esta terra haviam afluído para verem e vitoriarem a Sua Majestade e, de todos os caminhos que aqui conduzem se via caminhar imenso povo. Os moradores como à porfia se esmeraram em alcatifar a estrada e caminhos de ervas aromáticas e flores, e os que tinham janelas as adamascaram, e as mesmas casas térreas guarneceram as portas com cortinas: finalmente era uma verdadeira e espontânea festa. A Câmara Municipal havia dado ordem aos juízes eleitos para mandarem fazer a estrada que vai a Guimarães e alargar em alguns sítios, ficando agora uma belíssima estrada. Mr. Wilby havia disposto um decente almoço com a delicadeza que lhe é própria e como permitem as grossas comodidades de uma aldeia, mas mui agradável, principalmente pela linda vista da sua que muito havia de interessar a Suas Majestades e Altezas, concorrendo as delicadas maneiras de toda a sua família. - No dia 15 em que Suas Majestades e Altezas chegaram a Guimarães foi o regedor desta freguesia em nome dos regedores e juízes eleitos entregar a S. Exª o Duque de Saldanha a participação de que aqui se achava tudo aprestado para a recepção de Sua Majestade - S. Exª recebeu com urbanidade informando-se do estado do caminho e o tempo que empregaria na jornada; respondeu que a visita de Sua Majestade teria lugar hoje pelas sete horas da manhã; recobraram os preparativos, e todos ansiosos esperavam tão feliz momento; às horas precisas fizeram postar os foguetes que haviam de dar sinal, porém como os indivíduos encarregados não conhecessem, e viessem o ajudante Vasco Guedes com ordenança que se dirigia para a sua casa da Costa, deram o sinal ao que repicaram as torres e subiram ao ar grande número de foguetes, porém chegando o sobredito ao lugar da Pedra Longa, e vendo tão crescido número de povo apinhado ansioso por vitoriar Sua Majestade, disse que Sua Majestade já havia passado a Madalena para baixo e que não vinha aqui! A desesperação manifestou-se em todos os semblantes, e a todos os indivíduos se ouvia dizer de que o Duque trazia Sua Majestade enganada, e se estes povos tivessem alguma dedicação pelo Duque, toda perdia por este facto; tanto mais porque não houve participação oficial de que Sua Majestade havia tomado outra deliberação. A música tocou constantemente o hino da Rainha e d'el-Rei D. Fernando, e outras variadas peças; foram levantados vivas a Sua Majestade a Rainha, a el-Rei e Família Real. - Mr. Wilby convidou o Presidente da comissão, alguns membros dela, e outros amigos para o almoço que havia preparado, saindo todos que receberam esta honra penhorados pelas maneiras agradáveis da Srª D. Sara Wilby e suas interessantes meninas, findo o qual tanto os convivas como a família vieram gozar à Lameda o fresco da manhã debaixo do arvoredo para ouvir a música e acompanhá-la até à ponte das Caldas e diversos sítios onde foi tocar, minorando desta sorte a impressão que havia causado nos ânimos de todos privados de receber a visita dos Augustos Viajantes. - Requerimento apresentado ao Duque de Saldanha: - Sr. Duque de Saldanha! Os Regedores e os Juízes eleitos das Caldas de Vizela, vêm aos pés de V. Exª significar-lhe, que naquele fertil torção de banhos se acha aprestada (com a decência privativa de uma aldeia), a casa em que Suas Majestades e Altezas têm de demorar-se ali - É simples, mas cordeal e espontânea a dedicação dos povos. Bem quiseram os abaixo assinados oferecer a Suas Majestades e Altezas não a casa somente, mas ainda um almoço condigno dos Augustos Viajantes e da nunca esquecida memória do Rei soldado! Não lhes permitiu porém a pobreza de um torrão, digno de disvelos e cuidados, que até hoje não tido das autoridades competentes, e das quais ainda agora se hão solicitado os festejos condignos da nossa Augusta Rainha. - Mas ao menos, sr. Duque, esperam e confiam os abaixo assinados, que ao verem os Augustos Viajantes tanta riqueza de águas medicinais como em Portugal não há noutro local; uma ribeira tão fértil como no país haverá poucas, e os restos embora desprezados do muito que se desvelaram os romanos por estes banhos - certo que Suas Majestades se dignarão olhar a tal ponto por estas Caldas famosas (e tão famosas que já nas eras provetas mereceram ser visitadas de antigos Reis de Espanha quando na Espanha estava incluído Portugal), que para o futuro poderão as Caldas de Vizela prestar à Filha do Grande Pedro a recepção condigna dela e da cordialidade obsequiosa dos Vizelenses, que vos pedem respeitosos assim o hajais de comunicar-lhe. - Caldas de Vizela 15 de Maio de 1852. - José de Freitas Oliveira, Regedor da freguesia de S. Miguel das Caldas - José Pereira, Juiz Eleito da mesma - Francisco Machado, Regedor da freguesia de S. João das Caldas - Bento José Gonçalves Vieira, Juiz Eleito da mesma. - Representação que tinha de ser apresentada a Sua Majestade - Senhora! Ao dignar-vos de entrar nas antigas Caldas de Vizela - nesse torrão abençoado do Vosso país - entre os júbilos e os festejos os mais cordiais do povo, que ansioso Vos vitoriava, - não podem nem devem os regedores e os juízes eleitos, destes banhos memoráveis, deixar de vir felicitar-Vos por tão Augusta visita. Senhora! Dignai-Vos de olhar por estas piscinas salutíferas e em tanta abastança como não há outras em nosso Portugal! - Vê-de, Senhora, o abandono em que as têm deixado os veladores das Augustas determinações de Vossos Avós, que se dignaram fazer aproveitar para o público um manancial tão rico e tão procurado, (de longas terras ainda), que até em tempos remotíssimos se abalará do imo das Espanhas a Rainha D. Glória, com seu filho, para aqui virem procurar os milagrosos benefícios destas águas medicinais! - Examinai, Senhora, os cuidados e os develos dos antigos dominadores do mundo, atestados contra a fúria dos séculos e contra os desleixos das Câmaras Municipais, nesses restos de piscinas de mosaico e de vias romanas, que as escavações descobrem a cada passo! - Considerai, Senhora, que é nestas Caldas de Vizela onde vêm fazer uso dos banhos sulfurosos os soldados da 3ª e 4ª divisão militar, e onde centenares e centenares de enfermos encontram todos os anos a saúde e a vida, quando porventura - sem tão útil medicamento - só esperariam a doença e a morte! - Senhora! Por todas estas considerações, que não podem deixar de atrair as atenções maternais de Sua Majestade, dignai-Vos elevar, Senhora, estas Caldas famosas à categoria de Reais e de Vila, como o único meio, Senhora, de haver quem olhe neste torrão pelas imensas impreciáveis riquezas das Caldas de Vizela. - Caldas de Vizela ... de Maio de 1852. (seguiam-se as assinaturas) não as tinha o jornal. - Felicitação que tinha de ser apresentada a Sua Majestade: Senhora! A Comissão dos Vizelenses, por eles escolhida de entre os que foram eleitos para assinarem a felicitação que Vos fora entregue em Vila Nova de Famalicão, vêm hoje aos Vossos pés, Senhora agradecer-Vos respeitosa, a Vossa Augusta visita a este torrão mal ataviado! - Senhora! A comissão dos Vizelenses, que mal tem palavras para Vos testemunhar os seus cordialíssimos agradecimentos, só Vos pede, Senhora, que Vos digneis examinar este numeroso país dos banhos, e considerar as reflexões que os Vizelenses expenderam na felicitação que Vos fora entregue em Vila Nova de Famalicão! - E então, Senhora, fácil Vos será de conhecer, que só subtraindo este país abençoado, mas desprezado e oprimido até, da influência do Município de Guimarães, e só constituindo com ele e com parte dos Concelhos de Barrosas e Negrelos um Concelho à parte (incluindo-se em outros contíguos as demais freguesias daqueles dois Concelhos), só assim, Senhora, é que as Caldas de podiam ser uma povoação grande, rica e admirada, que hoje só lastimam o abandono em que elas se acham! Senhora! Desta arte, arredondam-se melhor as distribuições concelhais destes lugares, (a aprazimento geral dos povos, em totalidade), e ficam as Caldas de Vizela sendo a pérola mais brilhante do Vosso florão de Rainha e de Mãe destes povos, a quem fazeis boiar num mar de riquezas e de vantagens, sem detrimento e antes com riquezas e vantagens quase recíprocas dos povos comarcãos. Caldas de Vizela, [.....] de Maio de 1852. (Seguiam-se as assinaturas. O jornal não as trazia). - "Periódico dos Pobres no Porto", nº 127 de 31-V-1852 -