-
Descrição
-
Primeiro dia das festas nesta cidade pela chegada da Rainha ao Reino. À aurora, Salva Real no quartel e logo outra e música nos Paços do Concelho, seguindo esta pelas ruas da cidade, havendo enquanto foguetes, repiques e relógio. Jantar abundante que o comendador Eduardo Mateus de Almeida Coelho fez preparar para os soldados, que andavam em grande uniforme, findo o qual veio para a porta da Colegiada, cuja corporação estava numerosa e presidida pelo chantre, apesar de ele se achar doente. Reunidos o arcipreste com a clerisia; o administrador e empregados; o juiz de direito com os seus substitutos, escrivães, tabeliães, e oficiais de diligências; o comandante do destacamento com seus subalternos e oficiais militares reformados, com patente superior, saiu dos paços do Concelho a Câmara Municipal e seus empregados, seguida de 26 pobres de ambos os sexos, completamente vestidos à custa do Município, e, depois de entrarem no majestoso templo ao som da música e estrondo do fogo do ar, tomaram todos os seus lugares, ficando os pobres no centro da igreja, estando na capela-mor o Conde de Azenha e o conselheiro José Fortunato Ferreira de Castro, o Chantre entoou o Te Deum. Concluído o acto regressou a Câmara aos Paços do Concelho, seguida do mesmo acompanhamento e, seguida da música e de muitas pessoas encarregadas de comestíveis saiu de novo a Câmara em forma processional com direcção às cadeias e dali à casa dos entrevados, a S. Paio, e a uns e outros serviu um abundante jantar de sopa de massa, carne, presunto, arroz, um pão de trigo e outro de mistura, e meio quartilho de vinho, tocando fora dos edifícios durante estes jantares a música de Sande. Concluídos estes actos voltou a Câmara aos Paços do Concelho, e, ali debaixo da arcada, distribuiu à pobreza o resto deste mantimento; e, porque alguns pobres chegaram tarde e se lamentavam disso, deram-lhe 40 réis a cada um. À noite, brilhante e geral iluminação, em Vila Pouca, quartel militar, casa do vereador João António da Silva Areias, do Conde de Azenha, e da Sociedade Terpsicore, a da Câmara Municipal dirigida pelo guarda da mesma, Jerónimo José Leite Mendes e pelo pintor decorativo José Durães, brilhante, tocando no largo a música de Sande e havendo muito fogo fo ar. O juiz de direito, João Barbosa da Fonseca Álvares Pereira, desde as oito até às 12 da noite, teve muitas famílias reunidas em sua casa onde serviu um bom chá.