Efeméride de 21-05-1659

Descrição
Estando por ordem régia nesta Vila de Guimarães o doutor António Lobo de Torneio, desembargador dos agravos, tratando da condução dos soldados pagos e na recondução dos pagos e auxiliares, apareceram perante ele desembargador o Cónego doutor Bento da Costa e o Cónego Gaspar de Fonseca de Gois e requerem em nome da Colegiada ao dito desembargador, que ele lhes mandava prender seus criados, como já tinha presos alguns, para os alistar por soldados pagos, e o mesmo fazia aos privilegiados de Nossa Senhora da Oliveira da sua Colegiada, obrigando-os a dar seus filhos, criados, familiares e caseiros, o que não podia fazer na forma de seus privilégios, e para isso lhe intimavam uma carta em pergaminho, d'el-Rei D. João III, em que em cortes se propusera se podia quebrar ou abrogar os tais privilégios, e lhe fora respondido que não, porque já tinham passado no património da igreja, e assim pela dita carta se resolvera; também lhe mostraram uma bula apostólica de confirmação dos ditos privilégios pedida ao Pontífice Gregório IX por el-Rei D. Sancho em a qual punha pena de maldição de Deus, de S. Pedro e S. Paulo, a todos os que quebrassem os ditos privilégios, e assim na forma da carta e bula referidas requereram ao dito desembargador da parte d'el-Rei e da obediência à Santa Sé lhes não fizesse a seus criados, familiares e privilegiados, soldados pagos, por quanto estavam prestes servirem a el-Rei na forma de uma sentença que também lhe apresentaram d'el-Rei D. João IV, que era acudirem com os seus capitães nas ocasiões de necessidade. Pelo dito desembargador foi respondido que reconhecia a natureza dos tais privilégios, mas que havia de dar execução às ordens régias e de seus superiores, e com elas não podia parar sem que lhe mostrassem outras em contrário porque se lhe mandasse sobrestar; eles então pediram lhes mandasse tomar seu agravo, e logo pelo escrivão Domingos da Cunha foi feito o respectivo auto.