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Descrição
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Faleceu o Padre D. Tomé Nogueira (diz a crónica dos C. Regr., tomo 2º, pág. 370), "natural de Guimarães e dos mais nobres daquela antiga Vila; foi também dos Cónegos de Santa Cruz antigos, antes da Reformação que se fez no dito Mosteiro pelos anos de 1527 e não só a aceitou mas também a guardou em tão estreita pobreza, que não tinha mais que a túnica e hábito que trazia vestido, e o seu Breviário, com um livrinho que trazia sempre na manga: de imitatione Christi, composto pelo nosso D. Tomás de Hempis. Era muito bom canonista e teólogo moral. Sendo Prior do nosso Mosteiro de S. Vicente de Lisboa, se opôs ao Arcebispo da mesma cidade D. Jorge de Almeida, que queria obrigar os Cónegos daquele Mosteiro a irem à procissão da festa do Corpo de Deus e apelando da sua sentença para a Legacia, fez um arrazoado tão douto por parte do seu Mosteiro, que saiu provido e houve sentença contra o Arcebispo, julgando-se no dito Tribunal da Legacia, que a nossa Clausura era a estreita de que falava o Concílio Tridentino, como também o explicou o Papa Pio V por seu motu próprio. Defendeu também com grande valor a jurisdição do seu Mosteiro de S. Vicente, que nele tem os Priores sobre o Cura, Capelães e Tesoureiro da freguesia e Confrarias que visitam, sem das portas adentro da Igreja terem os Arcebispos jurisdição alguma, por virtude de uma Concordata que os ditos Priores fizeram com os Arcebispos quando lhes largaram a visitação dos fregueses, que dantes eram também da sua visitação até o tempo do Arcebispo D. Fernando de Vasconcelos e Meneses; e porque o Arcebispo D. Jorge de Almeida mandou ao Bispo de Celé, seu Bispo de Anel, que fosse dentro da Igreja de S. Vicente visitar contra a dita Concordata e amigável composição, confirmada pelos Sumos Pontífices, lhe saiu o Prior D. Tomé ao encontro e com muita cortesia o impôs pela porta fora da dita Igreja, dizendo-lhe que fosse visitar os fregueses na Igreja de Santa Marinha, conforme a Concordata. Teve também outro irmão Cónego de Santa Cruz, chamado D. António Nogueira (vide 14-IX-1560 neste livro) que foi o último Prior-mor ou Comendatário do nosso Mosteiro de Santa Maria de Cárquere, posto por el-Rei D. João III. Faleceu o Padre D. Tomé de noventa e tantos anos e sempre andou em pé e foi às Comunidades e até no dia em que Deus o levou dise missa e se foi lançar na enfermaria e pediu a extrema unção e tanto que lha deram, expirou, sempre com os olhos no Céu".