-
Descrição
-
(Isto foi no dia 8 de Junho) Domingo - Terceiro dia de celebração do 4º centenário da fundação do teatro português pelo nosso patrício Gil Vicente. Ao romper da alvorada uma girândola de foguetes e três filarmónicas percorreram as ruas da cidade tocando o hino da Sociedade Martins Sarmento, iniciadora das festas e a quem elas mais deveram. À meia hora da tarde, conforme a resolução da vereação de quatro do corrente, houve nos paços do Concelho sessão solene que a Câmara ofereceu à Sociedade Martins Sarmento; falou o Abade de Tagilde, Presidente desta Sociedade, rematando por oferecer ao arquivo da Câmara um exemplar do número especial da "Revista de Guimarães" encadernado em pergaminho, o qual foi, pelo dr. Avelino Germano da Costa Freitas, nas mãos do Presidente que logo discursou, seguindo-se o general reformado João Augusto Pereira de Eça de Chaby, adoptivo de Guimarães, e foi assinado um auto para se guardar no arquivo da Câmara. Saiu então o bando com que a Câmara dava parte das festas e pedia que iluminassem, ia uma filarmónica e atrás os empregados da Câmara com capas de seda preta abandadas de branco e chapéus de três bicos orlados de arminho. À noite a iluminação na rua de Gil Vicente, Toural e S. Francisco era profusa e vistosa; a banda do nº 20 de infantaria tocou no jardim do Toural e outras em Gil Vicente e S. Francisco. No teatro de D. Afonso Henriques, à noite, abriu o sarau o dr. Gaspar de Abreu Lima, vice-Presidente da Sociedade Martins Sarmento; tomaram parte D. Alexandrina Castagnoli e o violinista Henrique Carneiro ( ); depois da meia-noite o dr. Gaspar de Queirós Ribeiro ( ), principiou a conferência sobre a Obra de Gil Vicente; teve estronda ovação e do teatro para o hotel, onde estava hospedado foi acompanhado por muitos cavalheiros dando-lhe vivas. - Vide vol. XIX da Revista de Guimarães, fl. 182 e seguintes -