Efeméride de 13-06-1620

Descrição
O advogado João Nogueira vai a uma casa de Santa Luzia, onde estavam aposentados D. Frei António dos Santos, Bispo de Nicomédia, e o doutor Bernardo da Fonseca Saraiva, vigário geral do arcebispado, ambos visitadores do Arcebispo de Braga, e, em nome da Câmara Municipal, notifica-lhes o agravo que esta lhes punha para o juiz dos feitos d'el-Rei, da casa da cidade do Porto, por, em 10 de Maio último, eles terem (sem estar presente o Arcebispo, conforme as condições da concordata) - com acompanhamento de muita gente secular e eclesiástica, entrado nesta Vila em os 9 de Maio último e logo no Domingo se publicaram por visitadores da Vila; assentaram tomo de visitação na igreja de Santa Clara, onde estando a visitar, os vereadores foram em corpo de câmara com suas varas nas mãos e lhes fizeram requerimento em forma e lhes impediram e contradisseram a força que lhes estavam fazendo, e lhes requereram da parte de Sua Majestade os não forçasse, e tanto insisitiram na força que um clérigo de sua companhia levou de um pistolete dentro na igreja contra eles vereadores agravantes, e procederam contra eles com censuras e interdito por eles agravantes defenderem seu direito e posse, e estavam nesta Vila forçando a eles agravantes e compelindo-os com excomunhões a que não requeiram sua justiça dizendo que andam públicos excomungados e de interdito, etc. Os visitadores alegaram, quanto ao clérigo do pistolete, não havia tal coisa, sendo logo buscado pelo juiz de fora desta Vila, com licença do vigário geral, e com dois escrivães seculares. Chamava-se Luís Lopes de Figueiredo, natural e residente nesta Vila, não era da família nem companhia deles, que se achava na igreja com outros muitos clérigos da Vila. O clérigo os agasalhava e servia-lhes de familiar e se acompanhavam sempre com ele - assentado mesa na Colegiada, a fim de fazerem visitação à Vila.