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Descrição
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A Associação Comercial reune em assembleia geral com muitos associados e muitas pessoas da classe comercial mas associadas, às quatro horas da tarde. O Presidente, João Fernandes de Melo, dissse que tendo-se praticado lamentáveis acontecimentos na cidade do Porto por ocasião da estada lá do Exmº Presidente do Conselho de Ministros, e dos quais foram alvo, respetáveis cavalheiros desta cidade, membros da nossa classe e nossos consócios, entendeu a direcção desta casa levar ao seio da classe comercial o conhecimento desses factos, que, por sua natureza enodoam e aviltam o bom nome daquela cidade, julgando por isso necessário ao nosso decoro e dignidade, fazer ecoar no meio colectivo da mesma cidade, o desagrado e indignação que lavra no espírito desta associação e de toda a cidade, pela maneira repugnante como os nossos consócios foram vilmente insultados nas ruas da cidade invicta. Apresentou a moção seguinte: A Associação Comercial de Guimarães, reunida em assembleia geral, tendo conhecimento de que no dia dezassete do corrente foram desconsiderados e desacatados nas ruas da cidade do Porto diversos cidadãos vimaranenses, na sua maior parte pertencentes à classe comercial e sócios desta associação: - Considerando que tem sempre revestido a máxima cordialidade as relações entre as duas cidades, como em diversas ocasiões tem sido demonstrado e por forma bem manifesta e solene; - tendo a população desta cidade sentido, como é próprio do seu carácter digno e brioso, uma sincera e viva indignação pública e ruidosamente manifestada por ocasião da chegada dos cidadãos ofendidos na noite de Terça-feira passada; - e tendo finalmente em consideração que, ao interesse das relações comerciais das duas cidades e dos laços de amizade e simpatia que sempre as ligaram, não convém que entre elas fique um fermento de indisposição, que pela ordem de sentimentos a que respeita, pode avolumar-se e originar consequências para ambas prejudiciais. A Associação Comercial de Guimarães, tendo a convicção de que não foi a parte digna e honrada da cidade do Porto, mas sim a gente baixa e sem imputação, quem praticou o delito referido, não obstante o que com estranha insistência e em contrário afirmam diversos jornais daquela cidade, resolve consignar na acta desta sessão o seu desgosto pela forma como foram tratados, contra todos os preceitos da boa hospitalidade, os cidadãos vimaranenses nas ruas do Porto em dezassete do corrente e levar esta sua deliberação ao conhecimento da Associação Comercial e Centro Comercial do Porto, certa de que estas dignas corporações que representam a maior e mais importante parte da população portuense, repelindo qualquer espécie de solidariedade com os autores dos factos apontados, compartilharão o nosso pesar e sentirão igualmente o nosso desgosto. - O doutor Joaquim José de Meira declarou ser a primeira vez que assistia a uma reunião de assembleia geral desta prestante colectividade e precisava definir claramente a sua assistência, para que se não pudesse atribuí-la a qualquer fim político, que, não nessa qualidade, mas como sócio honorário desta agremiação, honra com que imerecidamente foi distinguido, vinha juntar o seu protesto ao da ilustre assembleia, contra os factos praticados nas ruas da cidade do Porto, na pessoa dos vimaranenses que foram visitar o excelentíssimo Presidente do Conselho de Ministros (Franco Castelo Branco). Mostrou em palavras eloquentes e calorosas a indignidade dos acontecimentos dados, cuja responsabilidade não cabia à canalha infrene, mas a quem de posição social a dirigia ocultamente, e apoiou a referida moção louvando a direcção pela sua iniciativa. - Falaram mostrando-se favoráveis à moção Eduardo Almeida, António Pereira Mendes e Simão da Costa Guimarães, propondo o primeiro destes que a moção fosse também enviada à Associação Industrial Portuense. Todos os oradores receberam vivas manifestações de aplauso, findo o que foi a moção aprovada por unanimidade.