Francisco Martins Sarmento

FRANCISCO MARTINS SARMENTO ( 1833-1899)

Nascido em Guimarães, filho de família abastada, aqui frequentou as primeiras letras. Estudou latim no Porto, ingressando mais tarde na Universidade de Coimbra, tendo-se formado em Direito em 1853.

Ensinado nas leituras que chegavam da Europa civilizada, a vida intelectual de Martins Sarmento vai ser marcada por transições, primeiro o poeta romântico, depois o colunista polémico e justiceiro e, finalmente, até ao fim da vida, o arqueólogo, o ilustre investigador das citânias, as “cidades mortas” do noroeste de Portugal.

Francisco Martins Sarmento vivia na sua residência do Largo do Carmo, construída em meados do século XIX e beneficiada ao longo dos anos com sucessivos melhoramentos que lhe conferiram o aspeto imponente e desafogado que ainda hoje possui.

Neste palacete, Martins Sarmento recebia os amigos e organizava eventos recreativos, tais como soirées e festas temáticas. No seu quotidiano, dedicava-se à leitura, à redação de crónicas e artigos que publicava na imprensa e em revistas científicas, à troca de correspondência com numerosas individualidades portuguesas e estrangeiras e à escrita de livros.

Pioneiro da fotografia em Portugal, foi através dela que divulgou os achados que descobria na Citânia de Briteiros, atraindo assim o interesse da comunidade científica portuguesa. Em 1880, a visita à Citânia de Briteiros dos maiores especialistas europeus reunidos por ocasião do Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Históricas, veio consagrar o trabalho do ilustre arqueólogo vimaranense. No relatório da excursão, Rudolf Virchow, escreveu:

vive neste local, um homem, Sr. Sarmento, residente em Guimarães, o qual, tal como Schliemann, há vários anos que gasta elevadas somas em escavações arqueológicas. Adquiriu os próprios sítios para os defender de mãos incautas. Em cada ano, escava uma parte da superfície do terreno e reúne cuidadosamente todos os objectos recolhidos de modo a que actualmente possui um tão grande número de peças que constituem por si mesmo um pequeno museu.

Obras de Francisco Martins Sarmento