Título: Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira

Datas extremas: 931-1912

Dimensão: 59 ml.

Nível de descrição: arquivo

Nome produtor: Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira

História Institucional: A Colegiada de Guimarães, primaz das Colegiadas portuguesas, possuía um cabido que no séc. XV chegou a ser igual ao cabido da Sé de Braga. Foi centro nacional de peregrinação e tinha um vasto património urbano, na vila de Guimarães, e rural, abrangendo cento e vinte e sete freguesias espalhadas por Entre Douro e Minho. O seu padroeiro era o Rei de Portugal. É por isso uma instituição muito importante na História de Portugal.
Teve origem no Mosteiro duplex (para religiosos e religiosas), fundado em meados do século X pela Condessa Mumadona, nas suas terras de Vimaranis. A ele se encontra ligado o Castelo de Guimarães, uma vez que foi construído com o objectivo de o proteger. Com o decorrer do tempo a protecção condal vai diminuindo e o convento vai perdendo a importância, até que, no século XII, é instituída a Colegiada de Guimarães.
Dotada de grande autonomia, a Colegiada não reconhecia a autoridade do Arcebispo de Braga como seu superior eclesiástico, mas apenas a Santa Sé e o Rei de Portugal. Isto deu origem a graves problemas e mesmo a lutas (por vezes com o uso de armas e de excomunhões), entre as duas instituições religiosas, rivalidade esta que mais ou menos latente permaneceu praticamente até ao século XIX.
Ao longo dos tempos os reis foram protegendo e enriquecendo esta instituição não só com doações, mas também confirmando antigos privilégios que abrangiam os que trabalhavam para ela. Tomemos como exemplo, privilégios das Tábuas Vermelhas, que foram sucessivamente confirmados por vários reis.
Assim os seus cargos eram disputados, e importantes personagens da História de Portugal foram seus D. Priores: D. Martinho Giraldes, depois arcebispo de Braga, Pedro Hispano, mais tarde Papa João XXI, o Dr. João das Regras, D. Jorge da Costa “Cardeal Alpedrinha”, e outros. Em 6 de Abril de 1385, D. João I é aclamado rei de Portugal, e a 14 de Agosto dá-se a Batalha de Aljubarrota, que o monarca vence com o auxílio de Santa Maria de Guimarães.
Pouco depois vem a esta vila agradecer à Virgem as graças concedidas e, para além de magníficas doações, que integram o tesouro da Colegiada, mandou reedificar a Igreja, a cuja sagração assistiram os reis e os príncipes.
Em 1649 a Colegiada é considerada “insigne”.
Na segunda metade do séc. XVII e XVIII houve uma remodelação da arquitectura da igreja, da paramentaria e dos objectos usados no culto religioso.
A partir do reinado de D. Maria II começa uma época de agitação. A lei de 1848 extingue as colegiadas excepto a de Guimarães, que não consegue resistir à de 01.12.1869.
No entanto, devido a um projecto-lei apresentado em 1888 por João Franco, deputado por Guimarães, o governo foi autorizado em 14 de Setembro de 1890 a reorganizar a Insigne e Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, da cidade de Guimarães, sendo esta nova transmitida ao arcebispo de Braga por carta do rei D. Carlos, a 9 de Janeiro de 1891. Mas em 1912 o governo da República extingue-a novamente, sendo posteriormente restaurada a 13 de Fevereiro de 1967.
A sua história está intimamente ligada à da cidade de Guimarães que nasceu com ela, que sofreu ao longo dos tempos com as suas grandezas e misérias e, que ainda hoje, embora de forma mais ténue, vive intensamente as suas vicissitudes.

História custodial e arquivística: Este arquivo foi incorporado no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, aquando da sua criação, de acordo com o disposto no nº 1 artº.120 do capítulo XXIV do decreto nº 19.952 de 27 de Junho de 1931, republicado em 30 de Julho do mesmo ano que determinou a incorporação do Arquivo da extinta Colegiada de Guimarães.

Âmbito e Conteúdo: Constituído maioritariamente por livros e/ou maços de prazos, coro, despesas/receitas, décimas, doações, estatutos, foros, inquirições de genere, inventários, legados, notas, obrigações, tombos, recibos, sentenças, vedorias e visitações.

Ingressos adicionais: Por se tratar de um arquivo desactivado não se prevê a entrada de novas unidades de instalação.

Condições de reprodução: A reprodução deverá ser solicitada por escrito, através de requerimento dirigido ao responsável da instituição. O seu deferimento encontra-se sujeito a algumas restrições tendo em conta o seu estado de conservação ou o fim a que se destina a reprodução.

Condições de acesso: Comunicável, salvo os originais em mau estado de conservação.

Descrição do estado de conservação: No geral o arquivo está em bom estado de conservação.

Instrumentos de descrição: Inventário publicado no Boletim de Trabalhos Históricos, II série, vol.1, 1993.

Unidades de descrição relacionada: Existe, ainda, documentação da Colegiada no IAN/TT – (Instituto dos Arquivos Nacionais Torre do Tombo), no Arquivo da Universidade de Coimbra e no Arquivo Distrital de Braga.





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