Título: Convento de Santa Clara

Datas extremas: 1559/1884

Dimensão: [172] doc.

Nível de descrição: arquivo

Nome produtor: Convento de Santa Clara

História Institucional: O convento de Santa Clara situa-se hoje em pleno coração da cidade de Guimarães, a meio da rua de Santa Maria, local que no séc. XVIII era considerado fins da rua de Santa Maria e início da rua da Infesta, em frente a um espaçoso largo onde existiu em tempos um cruzeiro.
O seu fundador foi Baltazar de Andrade, mestre-escola da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, que em meados do séc. XVI dá início à sua obra, começando por tomar posse de umas casas e quintais no local onde irá mais tarde edificar uma instituição religiosa em honra da Virgem Santa Clara. A primeira pedra foi lançada alguns anos depois, com grande solenidade na presença do alcaide da vila, do cabido da Colegiada e de várias ordens religiosas, que segundo uns autores foi a 8 Maio de 1549 e, segundo outros a 29 de Setembro de 1559.
A bula que autorizou a fundação do convento foi expedida em Roma a 15 de Outubro de 1559 e foi confirmada por Pio IV durante o primeiro ano do seu pontificado 1560. O documento refere ainda que o convento deve ter o nome de Santa Maria de Ara-Coeli de Nossa Senhora da Assunção, sob regra de Santa Clara, conforme ordem dos frades menores conventuais claustrais, e ordena que sejam visitadores e superiores ordinários os priores da Colegiada ou duas das mais graduadas dignidades do cabido, o que por Breve de Clemente VIII passa a ser tarefa do arcebispo de Braga.
Baltazar de Andrade pretendeu que as suas três filhas que estavam no convento de Santa Clara de Amarante, Helena, Joana e Francisca mudassem para este, ficando a primeira como abadessa perpétua, a segunda prioreza e a honra de abadessa fosse herdada pela irmã seguinte em caso de morte da mais velha e falecendo todas o cargo fosse trienal e confirmado pelo visitador com mais de dez anos de casa. Baltazar seria o padroeiro e por sua morte suceder-lhe-iam os filhos, sendo o primeiro Francisco tesoureiro da Colegiada, e finalmente Isidoro, cónego que falecendo transmitiria à sua geração.
Fizeram as religiosas a sua entrada solene no convento a 12 de Agosto de 1562, dia de Santa Clara, sendo a missa dita por Francisco de Andrade, tesoureiro mor da Colegiada e irmão de Helena de Andrade, primeira abadessa, que havia tomado o nome de Helena da Cruz.
De início a instituição lutou com grandes dificuldades económicas o que levou D. Sebastião a conceder-lhes, em 1563, e por intervenção de D. Isabel, uma carta régia em que se lhes concedia licença para possuir bens de raiz, que rendessem anualmente até 50$00 reis; e igualmente obtiveram do cardeal arquiduque, em 1587, um alvará em que se lhes mandava dar cento e cinquenta medidas de milho, das quatrocentas que no convento de Palmela, em todos os anos, se repartiam pelos pobres. A sua comunidade era bastante pequena, mas lentamente foi crescendo e este chegou a ser o convento mais rico de Guimarães, e albergar mais de 60 religiosas.
O edifício tem uma fachada majestosa, bastante decorada e dividida em três corpos, tendo ao centro a figura da padroeira, num nicho, sobre o portal de entrada. Parte da construção foi levantada no século XVIII e a capela enriquecida com talhas e quadros, sendo no entanto destruída no século XIX. O retábulo do altar-mor foi, já durante este século instalado na igreja da Penha onde ardeu durante um incêndio. Parte das talhas conservam-se hoje no Museu Alberto Sampaio.
A extinção das ordens religiosas em 1834 levou ao abandono do convento. Em 1891 foi instalado o seminário de Nossa Senhora da Oliveira, a cuja inauguração esteve presente o rei D. Carlos sendo algum tempo depois o rés-do-chão adaptado a liceu e o 1º andar a internato municipal. Com a extinção da Colegiada em 1910 há oficialização do liceu.
Desde 1975 que funciona nas suas instalações a Câmara Municipal de Guimarães.

História custodial e arquivística: O arquivo do Convento de Santa Clara foi incorporado no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, aquando da sua criação, de acordo com o disposto no capítulo XXIV do decreto nº 19.952 de 27 de Junho, republicado em 30 de Julho do mesmo ano.

Âmbito e Conteúdo: O arquivo do convento de Santa Clara é composto por livros de foros, rendas e pensões, do celeiro, de despesas, de prazos e outros títulos diversos.

Ingressos adicionais: Não se prevê a entrada de novas unidades de instalação.

Condições de reprodução: A reprodução deverá ser solicitada por escrito, através de requerimento dirigido ao responsável da instituição. O seu deferimento encontra-se sujeito a algumas restrições tendo em conta o seu estado de conservação ou o fim a que se destina a reprodução.

Condições de acesso: Comunicável, salvo os originais em mau estado de conservação.

Descrição do estado de conservação: No geral o arquivo está em bom estado de conservação.
Instrumentos de descrição: Catálogo disponível em suporte papel e electrónico.

Unidades de descrição relacionada: Existe documentação do Convento de Santa Clara no Arquivo Distrital de Braga. Poderá, ainda consultar a seguinte monografia: ARAÚJO, António Sousa, SILVA, Armando B. Malheiro – Inventário do fundo monástico conventual. Braga: Arquivo Distrital de Braga; Universidade do Minho, 1985. 228pp; 23 cm

Nota do(s) arquivista(s): O conteúdo informativo da “História institucional” baseou-se na seguinte bibliografia:

CACHADA, Armindo Guimarães – Guimarães: roteiro turístico. Guimarães: Zona Turismo de Guimarães, 1992. 208 p.

CALDAS, António José Ferreira – Guimarães: apontamentos para a sua história. Guimarães : Câmara Municipal de Guimarães; Sociedade Martins Sarmento, 1996. 432 p.

CRAESBEECK, Francisco Xavier da Serra - Memórias Ressuscitadas da Província de entre Douro e Minho - Barcelos ,1993. 145 a 147 p.

Regras e Convenções: ISAD(G); NP405







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