Título: Mosteiro de Santa Rosa Lima

Datas extremas: 1727/1887.

Dimensão: 4 livros e 3 maços.

Nível de descrição: arquivo

Nome produtor: Convento de Santa Rosa Lima

História Institucional:

O Convento de Santa Rosa Lima situava-se na antiga rua da Travessa, mais tarde rua de Santa Rosa Lima e hoje denominada rua das Dominicas.

A pretensa fundação de um recolhimento onde pudessem viver virtuosa e clausuradamente algumas donzelas aconteceu na primeira metade do século XVII por acção de alguns devotos, entre as quais o padre Frei Sebastião, prior do Convento de S. Domingos de Viana do Castelo. Desta forma, com o dinheiro de esmolas compraram-se pequenas casas e algumas terras, na rua da Travessa, hoje de Santa Rosa de Lima e aqui viveram, tal como refere o padre Caldas, em recolhimento, dedicado a esta Santa Virgem, algumas senhoras.

Por volta de 1680 obtiveram, da confraria Senhora da Graça, administradora do antigo hospital, a cedência de antigas casas deste, bem como hortas e a capela de S. Roque para aí viverem e professarem.

De acordo com a escritura, lavrada a 3 de Fevereiro, ficaram os confrades com os encargos da administração dos bens da confraria e hospital e as freiras com obrigação de comprarem casas para albergarem os pobres, obrigação deste hospital.

Tomaram o hábito nesse mesmo ano das mãos do prior de S. Domingos, de Guimarães e entraram solenemente na sua nova casa ou conservatório acompanhadas por uma grande parte do povo, magistrados régios e nobreza. No ano seguinte, professaram perante o provincial frei Agostinho de S. Tomás, ratificando os votos de obediência, pobreza e castidade e jurando guardar perpétua clausura.

Constituída a comunidade regular as freiras começaram, então a desenvolver as obras do convento, até ali pequeno e pobre. Em 1725, com a prioresa madre Catarina das Chagas, deu-se início a grandes obras de pedraria, que aumentaram e deram grandiosidade ao convento. Em 1736 iniciam-se as obras em madeira, sendo prioresa madre Mariana da Encarnação, e do retábulo do altar-mor sob o risco do mestre portuense José da Fonseca, concluído em 1741. Em 1745, a prioresa a madre Maria de Jesus mandou fazer os altares laterais.

O facto das freiras terem em suas mãos e dever de recolher e tratar os pobres que se albergavam no hospital de S. Roque, embora a sua administração continuasse a pertencer à confraria de Nossa Senhora da Graça, deu origem a graves problemas e divergências, que as religiosas tentaram resolver, obtendo um provisão real a 6 de Novembro de 1733, conseguindo que tudo fosse transferido para o seu poder, como se pode ver pelo contrato notarial do tabelião Brás Lopes, de 14 de Setembro de 1734, ficando no entanto sujeitas às mesmas obrigações e encargos que a confraria possuía.

Na primeira metade do século XVIII obtêm do papa Clemente XII a graça de usar véu e capa preta, e passar para a segunda regra do patriarca S. Domingos, sujeitas sempre no espiritual à jurisdição do provincial da sua Ordem. No entanto, em 1747 esta jurisdição passou para o arcebispo de Braga.

Em 1776, as freiras recorrem ao papa Pio VI, para lhes confirmar a graça do véu preto, com as condições do primeiro Breve; autorizando-lhes a mudança para jurisdição dos arcebispos e ser o número de religiosas elevado para quarenta.

Este convento foi sempre muito conhecido pelo excelente doce de fruta e bonitos trabalhos em linho, que ali se manufacturavam e exportavam fundamentalmente para o Brasil e Inglaterra, constituindo um dos ramos mais produtivos e notáveis da indústria vimaranense.

Com a extinção das ordens religiosas e a demolição da igreja paroquial de S. Sebastião, no século XIX, ficou a igreja das dominicas, como é vulgarmente chamada, a substitui-la na sua função paroquial, dando assistência religiosa aos habitantes da freguesia de S. Sebastião.

História custodial e arquivística: O arquivo do Convento de Santa Rosa Lima foi incorporado no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, aquando da sua criação, de acordo com o disposto no capítulo XXIV do decreto nº 19.952 de 27 de Junho de 1931, republicado em 30 de Julho do mesmo ano.

Âmbito e conteúdo: O arquivo do convento de Santa Rosa Lima é composto pelas séries naturais dos livros do celeiro e processos de aceitação de missas, existe, ainda um livro de recibos.

Ingressos adicionais: Não se prevê a entrada de novas unidades de instalação.

Condições de reprodução: A reprodução deverá ser solicitada por escrito, através de requerimento dirigido ao responsável da instituição. O seu deferimento encontra-se sujeito a algumas restrições tendo em conta o seu estado de conservação ou o fim a que se destina a reprodução.

Instrumentos de descrição: Catálogo disponível em suporte papel e electrónico.

Condições de acesso: Comunicável, salvo os originais em mau estado de conservação.

Descrição do estado de conservação: No geral o arquivo está em bom estado de conservação.

Unidades de descrição relacionada: Existe documentação do Convento de Santa Rosa Lima no Arquivo Distrital de Braga. Poderá, ainda consultar a seguinte monografia: ARAÚJO, António Sousa, SILVA, Armando B. Malheiro – Inventário do fundo monástico conventual. Braga: Arquivo Distrital de Braga; Universidade do Minho, 1985. 228pp; 23 cm

Nota do(s) arquivista(s): O conteúdo informativo da “História institucional” baseou-se na seguinte bibliografia:

CALDAS, António José Ferreira – Guimarães: apontamentos para a sua história. Guimarães : Câmara Municipal de Guimarães; Sociedade Martins Sarmento, 1996. 432 p.

ARAÚJO, António de Sousa – Inventário do fundo monástico-conventual - Braga. Arquivo Distrital, Universidade do Minho, 1985.169 p.

Regras e convenções: ISAD (G) , NP 405







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