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Construções. Aparelhos.
(Fot. I a IV)

I.
Casa reconstruída sobre paredes antigas.
O traço negro que parte das ombreiras, e que é mais visível no n.º 2, fot. II (costas da mesma casa), separa o velho do novo. Esta casa e mais duas são as únicas, até hoje descobertas, que mostram um rasgo de porta: 0,99. Diâmetro da casa: 4,77; esta medida ti quase hierática em todas as casas circulares.

As portas olham, uma para nordeste, duas para sudeste.

I
1


II, III
Aparelhos externos das casas circulares. O n.º 1 da fot. III, se continuasse assim até o remate da casa, iria em fiadas perfeitamente em espira

II    
 
1   2
III    
 
1   2

IV.
N.º 1, aparelho interno das casas circulares. O aparelho é sempre de duas folhas. No n.º 2, fot. IV, vê-se o reverso do aparelho interior por entre duas pedras do aparelho externo.

Além de casas redondas, há-as quadradas, quadrilongas, ovais, semicircular (uma), informes i.e. compostas de linhas curvas e rectas. As 3 excepções notadas acima a respeito do rasgo das portas incluem as casas de todas as formas. Em todas elas se encontram objectos idênticos, em geral. Algumas, poucas, são ladrilhadas por dentro; por fora muitas. Estão soterradas 4 e 5 palmos, mesmo as da coroa do monte.

Grossura da parede: 0,57.

IV    
 
1   2

Pedras ornamentadas
(Fot. V a VII )

Pedras encontradas nas escavações de casas circulares e não circulares.
O n.º 2 fot. VI, é um ornamento empregado na “Pedra Formosa”. (As duas pedras da fot. VII, bem corno a da inscrição CAA, têm largura para padieiras, se bem que a sua grossura não seja de mais de 0,10m).
Os exemplares mais frequentes são os da fot. VI.

V            
     
1   2   3   4
VI            
     
1   2   3   4
VII    
 
1   2

Objectos de pedra.
(Fot. VIII, IX)

VIII
N.º 1. É rara a casa, onde não apareçam destes objectos, às vezes aos 4 e S. A altura varia de 3 a 5 palmos, Os desta última medida são mais raros. A maior parte deles ti de pedra lascada, mas em muitos nota-se uma extremidade menos trabalhada e que indica dever ser recravada em paredes. Alguns têm vergões, um ou dois, como mostram as figuras 2, 3 deste n.º.

N.º 2. Os dois objectos do centro são raros. Até hoje apareceram apenas 3. Uma das suas extremidades ti espalmada e mostra também que devia recravar em parede, ou coisa semelhante. A fig. 4 aparece quase sempre no centro das casas circulares; às vezes as dimensões são maiores. Esta tem: 0,54.

N.º 3. Vulgaríssimas. Como quase todas as portas eram de coução (pivot), como se vê de muitas soleiras que aparecem, sempre deslocadas, é possível que o buraco das pedras fotografadas segurasse o coução superior da porta.

N.º 4. Já depois de fotografados estes objectos, apareceu um outro com três pequenas concavidades polidas pelo uso, como se nelas se tivesse dado à força de martelo uma forma correspondente a alguma chapa metálica. Os colhereiros ainda hoje usam do mesmo processo, dizem, para dar a forma côncava às colheres de ferro.

VIII        
   
1   2   3
       
4        


IX
N.os 1, 2. Mó; andadeira e seu pé. Vulgaríssimas. Algumas não têm mais de 0,20m, A da fot. é a maior até hoje aparecida e mede 0,45.

IX        
   
1   2   3

Cerâmica
(Fot. X, XI)

A variedade de formas, a qualidade do barro, a quantidade de objectos é inumerável. Infelizmente tudo quanto se encontra está reduzido a fragmentos tais e tão dispersos se não pode reconstruir nada. A fot. XI mostra o que há de mais inteiro ou quase! Pelos fundos cónicos e pelas asas que se encontram em grande quantidade, vê-se que o uso das ânforas era vulgar.

X
n.º 1. A telha, como os imbricos aparecem em muitas casas; noutras nem sinais. Aparecem em casas redondas e quadradas, mas a quantidade não parece bastante para cobrir a casa toda; cobriria apenas as beiradas, como se vê na casa reconstruída.

N.º 2. Fusiolas. Aparecem muitas. Uma que não vai fotografada tem o sinal: (sigla?).

X        
   
1   2   3
       
4        
XI    
 
1   2

Escultura.
(Fot. XII, XIII)

XII.
Argote nas “Memórias etc.” dava notícia deste grupo. Apareceu por acaso num montão de pedras.

XII
1


XIII.
O corpo desta estátua apareceu no entulho do vão de duas casas circulares; a cabeça foi encontrada a mais de 60 passos de distância e quando menos se esperava.

O escultor parece ter querido figurar uma mulher, atenta a saliência dos peitos. Por mais que se espreite, não se lhe descobre emblema, nem coisa que o valha. As mãos estão vazias. Com um, dois ou três pomos nelas, qualquer um lhe daria o nome de uma “Mater”.

XIII
1
A primeira figura do grupo (esquerda) mede 0,22m de altura; a pedra em largo 0,40. A estátua 0,46 de altura.

Pedra Formosa.
(Fot. XIV)

“Pedra Formosa” é o nome que se tem dado a este monumento, que por muitos anos esteve no adro de Sto Estêvão de Briteiros e no princípio do ano corrente voltou para a Citânia. Foi em Março de 1718, segundo diz Francisco de Serra Craesbeeck, que o abade de Sto Estêvão, Inácio de Carvalho, a mandou colocar no adro. Segundo o mesmo informador, a pedra esteve ao alto, “antigamente”, e “da parte do nascente”. O Bispo de Uranopolis que visitou a Citânia e pediu esclarecimentos aos velhos daqueles arredores, como lemos em Argote, afirma que estava “‘para a parte do sul”. Em todo o caso, a Pedra estava dentro do recinto (do primeiro recinto) de muralhas e esta circunstância deve ser atendida e parece-me que contraria um pouco a opinião dos que querem que ela fosse uma estela funerária.

Tem de alto 2,28m; de largo 2,90 m; de grosso em algumas partes 0,24m. Na parte posterior é grosseiramente trabalhada, mas numa das extremidades e onde na fot. aponta uma árvore tem a figura que se vê no n.º 1 da fot. XVII. À cavidade triangular na base do cordão central comunica com a cavidade que lhe fica inferior e esta tem saída para o rasgo semicircular. A cavidade circular que remata o cordão de centro não tem profundidade mais que 0,08m.

XIV
1

Epigrafia.
(Foi. XV, XVI)

XV.
Os n.os 2,3,4 são, como se vê, nomes impressos em vasilhas. Na opinião de um ilustre arqueólogo, estes nomes não são mais que siglas figulinas e devem ler-se “Argentarii, ou Arg/eni Camal/i (oficina)”. A minha primeira opinião foi também que estes nomes eram marcas de oleiro; porém, depois que encontrei o monograma de CAA na pedra ornamentada (n.º 1) e numa laje (n.º 5) entendi que estes monogramas mereciam mais atenção, tanto mais que — 1.º sendo vulgaríssimas bordas de vasilhas da matéria e feitio destas, nenhumas. Outras aparecem marcadas — 2.º todas as marcadas apareceram na mesma casa. O barro é grosseiro. Na casa onde se encontrou o n.º 1 encontraram-se umas poucas de pedras ornamentadas. Nela e nas contíguas, que talvez fizessem um todo, há vestígios de reboco de cal, nas paredes (não nas juntas; em, todas as construções da Citânia não se vêem sinais de cal ou cimento), — particularidade que somente se nota numa ou noutra casa muito distante. A casa de CAA está a pouca distância da outra onde apareceram os nos. 2, 3, 4 e tem acesso para a laje, onde, além das figuras do n.º 5, há outras mal distintas, excepto uma composta de três círculos concêntricos, com seu ponto no meio — figura que se acha noutras lajes e mesmo fora do 2.º recinto de muralhas e longe das habitações.

O n.º 5 não é fotografado, mas copiado sobre o vidro despolido da câmara escura (bem como os nos. da fot. XVII). Está visto um pouco de escorço, de onde resulta que o diâmetro pequeno das elipses ti um pouco mais curto que o do original.

Escusado será advertir que a pedra n.º 1 não está inteira. Falta-lhe à direita a parte ornamentada que correspondia à primeira secção da esquerda. Alguns fragmentos achados não deixam disso a menor dúvida. A inscrição só continha um nome.

XV        
   
1   2   3
 
4   5

XVI
Apareceu na primeira fiada de pedra numa casa quadrada, voltada para o lado de uma rua.

N.º 2. Estava enterrada à profundidade de 8 palmos. A pedra, em que vi a inscrição, é tão informe e tão sem assento que, apesar do ponto (?), eu não sei decidir se os caracteres vão às direitas, se às avessas.

N.º 3. Apareceu numa casa contígua à antecedente.

Todas as 3 inscrições foram copiadas em papel vegetal sobre o vidro da câmara escura. São tão fiéis, como uma fotografia

XVI        
   
1   2   3

Sinais
(Fot. XVII)

N.º 1. Sinal na parte posterior da Pedra Formosa.

Nos. 2, 3. Sinais em lajes. Há mais, mas os menos vulgares são estes. Dois, três círculos concêntricos aparecem em muita parte. Os nos, 2 e 3 acham-se em pontos diametralmente opostos, o 2 a norte, o 3 a sul e perto da 3.ª ordem de muralhas.

XVII        
   
1   2   3

Sepulturas.
(Fot. XVIII)

Apareceram 18 no tabuleiro, onde antigamente existiu a capela de S. Romão, duas dentro do recinto dela, e uma terceira, dois terços dentro deste recinto e um terço por debaixo da parede das costas da capela, e tomando parte do local, onde devia ter existido o altar. Estas duas circunstâncias provam que as sepulturas nada tinham a ver com “esta” capela. O facto de se encontrarem dentro delas os mesmos objectos que se encontram em qualquer desentulho - carvões, cacos, fragmentos de objectos de cobre, etc., prova também que as campas foram cheias com terra dos destroços da povoação. Algumas pedras das tampas são fragmentos de soleiras; a cabeceira de uma das sepulturas está calçada com o pé de uma mó, igual à da fig. 1, no n.º 2, fot. IX. Umas sepulturas estão atravessadas por cima de alicerces de paredes antigas; outras vezes, às avessas, as paredes, como a da capela velha, e uma outra ao pé desta, atravessam por cima das sepulturas. A pedra n.º 2, fot. XIX, que parece ser uma cruz, ou melhor um esboço de crucifixo, traz-nos aos tempos do cristianismo, bem como a forma mesma das sepulturas. Bem que modernas relativamente à Citânia, devem ser antiquíssimas. As três da fot., e mais duas que lhes ficam à direita estavam construídas sobre uma espécie de praça ladrilhada, que me parece ser da primitiva povoação. Toda esta praça estava atulhada de terra na altura 4, 5 palmos, e foi de certo neste terreno que se fizeram os enterramentos, sem se suspeitar que por baixo houvesse ladrilho. As sepulturas fora deste local não têm ladrilho. Estão às vezes aos grupos, em que uma grande, de oito a nove palmos, tem à direita uma ou duas pequenas, de 5, 4 palmos, Há uma pequena e isolada, que não mede mais de 3 ½ palmos. Nas pequenas via-se que houve dentro um esqueleto por uma espécie de farelo ósseo misturado com a terra. Em duas das grandes apareceram dois crânios, num estado de podridão que não consentiam tocar-se-lhes, Um deles foi guardado mais depressa do que devia ser, para evitar a sorte do companheiro que foi posto em astilhas por alguns dos selvagens visitantes da Citânia. Dos outros ossos nada se pode aproveitar, a não ser duas rótulas em mau estado. Todas as sepulturas têm os pés para o nascente.

Por baixo da pedra n.º 2, fot. XIX, apareceu um objecto de ouro do diâmetro e espessura de três vinténs em prata, que podia ser brinco, ou pequena medalha de trazer ao pescoço; falta na orla a parte que melhor podia esclarecer a sua serventia.

XVIII
1

XIX

N.º 1. Esta inscrição encontrou-se perto da do de Sto Estêvão, Não há razões para crer que pertencesse à Citânia; mas não é impossível que fosse trazida de lá pelo mesmo abade que trouxe a “Pedra Formosa”, mormente vendo-se pelas sepulturas que na Citânia houve habitantes em tempos muito distantes uns dos outros.

O distinto arqueólogo, a que já atrás me referi, entende que os caracteres desta inscrição não permitem recuá-la além do século XVI. Parece porém que neste caso quem quer a decifraria - o que não sucede.

XIX    
 
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