CITÂNIA DE BRITEIROS

Martins Sarmento, partindo do seu antigo Solar, no sopé do monte de S. Romão, logo de manhã cedo rumava para as encostas dos montes que lhe eram sobranceiros, encontrando neles muitas respostas e muito mais interrogações para as mil e uma perguntas que o seu entusiasmo incansável perseguiria até ao limite das suas forças.

Baseado num método próprio, mas progressivamente valorizado cientificamente, começou na Citânia, aos 10 de Julho de 1874, as explorações que poriam a descoberto importantes vestígios do nosso passado.

Às vantagens defensivas que o terreno oferecia, e que não foram alheias à sua escolha como local de edificação do povoado, aliam-se três cinturas de muralhas (que são quatro no lado norte, o mais vulnerável), cuja espessura média ronda os dois metros e a altura os cinco, facto que lhe conferia um certo aspecto de inexpugnabilidade. Uma rede de fossos completava este sistema.

As construções encontram-se dispersas pelas encostas dispostas em socalcos amparados por muretes de suporte. Por entre elas, correm duas ruas principais que se cruzam, nas quais desembocam outras secundárias, abrindo-se ao longo do seu percurso, umas pequenas praças, além de uma possível acrópole, no cume, onde se encontra presentemente a capela de São Romão. A povoação parece ter tido uma certa importância, não só pelas suas dimensões como, também, pela sua expansão extra-muros. No total, há mais de 150 vestígios de habitações a descoberto, havendo ainda muitas por desenterrar, predominando nelas, sobretudo, a planta circular mas encontrando-se, também algumas de planta rectangular, contendo muitas delas alpendres à entrada. As calçadas, inclinadas para impedirem a infiltração de águas, rodeavam as casas, cujos interiores apenas raramente eram revestidos a pedra, tendo no centro um pilar que funcionava como suporte para a cobertura, As suas portas erguiam-se a quatro ou cinco palmos do chão, acedendo-se ao interior, provavelmente, por escadas móveis, não havendo a certeza se teriam outras aberturas.

Dos vestígios postos a descoberto, há ainda a assinalar uma fonte pública, da qual partiam, pelas margens das ruas, caleiras condutoras de água, e, sobretudo, uma estela, a chamada Pedra Formosa.

De grande importância para a sua caracterização cultural, são os variados motivos artísticos e decorativos (suásticas, entrelaçados, etc.), bem como as inscrições e variados objectos de uso quotidiano (mós, vidros, cerâmicas, metais, armas, moedas...).

Estes motivos decorativos, presentes tanto na pedra como nos metais e cerâmicas, demonstram e provam uma unidade artística ao nível da região do NO peninsular.

Na Revista De Guimarães

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