O Solar da Ponte, situado em S. Salvador de Briteiros, é um edifício senhorial com alguns traços barrocos, construído entre os finais do século XVIII e o início do XIX. Serviu de apoio às pesquisas arqueológicas de Martins Sarmento na Citânia e no Castro de Sabroso. Ficou na memória da história da Arqueologia portuguesa por, em 1877, ter sido o local onde foram recebidos participantes no I Congresso Arqueológico Nacional.

Integrado num complexo de construções agrícolas, com alpendre, curral, sequeiro, espigueiro com eira e moinho, há muito que deixou de ser centro de actividade agrária, tendo passado por um processo de abandono e degradação, que terminou quando, por altura do centenário da morte de Francisco Martins Sarmento (1999) a SMS promoveu o seu restauro exterior, com o objectivo de ali concretizar um sonho antigo: a instalação de um museu monográfico denominado Museu da Cultura Castreja, estreitamente relacionado com a Citânia de Briteiros, o Castro de Sabroso e a figura do arqueólogo Francisco Martins Sarmento.

As principais preocupações deste projecto prenderam-se com a necessidade de reintegrar no contexto os materiais arqueológicos da proveniente da Citânia de Briteiros e do Castro de Sabroso e com a intenção de proceder à reorganização museológica do Museu de Arqueologia instalado em Guimarães, na sede da SMS.

A organização museológica aplicada no Museu de Cultura Castreja inspira-se na metodologia que Martins Sarmento utilizou para agrupar as colecções que recolheu durante as suas escavações, distribuindo-se pelos seguintes módulos temáticos:

  • os elementos líticos decorados, ligados à arquitectura habitacional, integrando objectos de grande diversidade, muitos dos quais profusamente decorados, nomeadamente em motivos esculpidos;
  • a produção local, representada por objectos cerâmicas (entre os quais máscaras e diversas marcas de oleiros) e em objectos metálicos (nomeadamente em bronze);
  • outras cerâmicas com marcas de proprietário, correspondentes a um núcleo a destacar com informação específica;
  • as importações, entre as quais se salientam objectos de vidro, ânforas e objectos -cerâmicas em terra sigillata;
  • os objectos de adorno, vestuário e tecelagem, que integram um núcleo de grande quantidade de objectos a expor sequencialmente, segundo as suas funcionalidades e segundo a repartição sexual dos elementos de vestuário e de adorno, com destaque para a actividade eminentemente feminina da tecelagem;
  • a Pedra Formosa, o monumento mais representativa do Museu, proveniente de um balneário castrejo e que se transformou no ex-libris da Sociedade Martins Sarmento.

A par do espólio arqueológico, o Museu de Cultura Castreja dá particular destaque à figura do arqueólogo de Briteiros, Francisco Martins Sarmento, cuja memória está presente ao longo da exposição através dos seus textos e fotografias e dos objectos que lhe pertenceram.

O Museu de Cultura Castreja está aberto ao público desde finais de 2003.

A cultura castreja e a proto-história na Revista de Guimarães

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