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Category Archives: Casa de Sarmento

ArchivAVE – extração de água no rio Selho (1923)

António José Lopes Correia e Filhos pede para extrair água do rio Selho, por meio de motor eléctrico, destinada à alimentação das caldeiras de tinturaria da fábrica (1928). [Consultar]

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ArchivAVE – Reconstrução de muro e casa na margem do rio Gerês (1923)

Pedido de licença para continuar a reconstrução do muro de suporte e reconstrução de uma casa na margem do rio Gerês. Contém: planta, requerimento, recibo de pagamento, intimações, receita de pagamento, edital, certidão. Local: Terras de Bouro, freguesia de Vilar da Veiga.Consultar

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Novos títulos na Hemeroteca: O Progresso e Voz de Guimarães

Estão disponíveis na Hemeroteca dois novos jornais vimaranenses: o Progresso e A Voz de Guimarães.

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ArchivAVE – Construção de casa de moinhos no ribeiro de Guidões, Santo Tirso (1918)

Licença para construir uma casa de moinhos na margem esquerda do ribeiro de Guidões, bem como um açude para derivar água por meio de canal subterrâneo para os moinhos e ainda construir muro de suporte. Contém: requerimento, ordens de serviço, certidão, notas de serviço, declaração, termo de responsabilidade e planta. Local: Concelho de Santo Tirso, Freguesia de Guidões, Lugar de Bicho. Consultar.

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Aviso ao povo para não morrer de bexigas

Na Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento existe um curioso opúsculo, com o sugestivo título «Aviso ao povo para não morrer de bexigas». Sobre esta publicação de um farmacêutico vimaranense, João Lopes de Faria assinala nas suas efemérides que, em 1 de março de 1873, «A autoridade administrativa convidou os farmacêuticos para uma reunião a fim de prestarem todo o auxilio aos doentes atacados das bexigas, cuja epidemia grassava nesta cidade, que estivessem em circunstâncias desfavoráveis e com poucos recursos para medicar-se no seu domicílio. O hábil farmacêutico Manuel José de Passos Lima, “O Pilro”, da Rua de Santa Rosa de Lima, publicou em 7 deste mês um folheto, impresso, com o título de Aviso ao Povo para não morrer de Bexigas, ou considerações sobre a Epidemia da Varíola que custava 100 reis.»

Nesta obra, Passos Lima começa por apresentar uma curiosa definição de epidemia, recordando a etimologia da palavra:

«Este termo, que vem de duas palavras gregas, na nossa linguagem, quer dizer: mal, que está em cima do povo. É na verdade eloquente essa definição.»

A leitura do texto permite-nos observar que Passos Lima era um homem culto e bem informado, o que se torna evidente pelas abundantes citações de autores franceses e ingleses. Explica eloquentemente a origem e as vantagens da vacina, recordando, com ênfase, a frase que o Instituto Vacínico de Edimburgo recomendava que o clero da Escócia dirigisse aos pais, na altura do batismo de uma criança:

«se esta criança morrer de bexigas naturais, vós somente sois o culpado da sua morte, por que tendes na vossa mão um pronto e eficaz meio de a livrar desta fatal enfermidade, e este meio é a vacina dádiva do Céu.»

Para quem não tinha acesso à vacina, perante um doente com bexigas, destacando a elevada contagiosidade da doença, o autor apresenta uma série de recomendações, entre as quais: que o doente deve ser colocado numa sala ampla, limpa, arejada, não dormindo junto dele pessoa alguma; que se devem mudar todos os dias as roupas brancas da cama, bem como as camisas e despejar os vasos logo que os doentes façam alguma evacuação.

Finalmente, conclui, afirmando que dava por bem pago o trabalho que teve «se tiver a ventura com ele de salvar a vida a uma só pessoa.»

Para os mais curiosos, segue a ligação para o texto integral: https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/arquivo-digital/item/105708#?c=0&m=0&s=0&cv=0

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ArchivAVE – Francisco Inácio da Cunha Guimarães & Filhos – Moinho do Buraco

Pedido de licença em nome de Francisco Inácio da Cunha Guimarães & Filhos para abrir uma comporta num açude e fazer o aproveitamento hidroeléctrico do rio Selho no Moinho do Buraco.

Local: Concelho de Guimarães, Freguesia de Selho (São Jorge), Lugar de Moinho do Buraco Consultar

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Casa de Sarmento lança livro sobre a gripe espanhola (1918)

“A Gripe Espanhola de 1918” é o título da mais recente publicação da Casa de Sarmento. Este livro resulta de um encontro científico internacional, promovido pela Casa de Sarmento (Unidade Diferenciada da UMinho), que se realizou em Guimarães, na Sociedade Martins Sarmento, entre 25 e 26 de outubro de 2018, em colaboração com a Associação de Demografia Histórica (ADEH), a Associação Portuguesa de Demografia (APD) e o Grupo de Populações e Saúde do CITCEM.

Das jornadas, em que participaram trinta e cinco investigadores, congregando diversas perspetivas, desde a Demografia à História da Saúde, resultou esta publicação, que reúne dezasseis trabalhos que se repartem, fundamentalmente, por três áreas: perspetivas globais sobre a gripe e outras pandemias, estudos de caráter regional e impactos socioculturais da pandemia. Este conjunto de estudos é um importante contributo para conhecer melhor uma realidade que só há muito pouco tempo tem acolhido o interesse da comunidade científica e que tem óbvio paralelo com a grave situação epidemiológica que vivemos nos dias de hoje.

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Continuamos por cá: o Cerco do Porto do Coronel Owen

 

“Este velho livro teve sempre para mim um grande encanto. Antes de o ler, ouvi-o da boca de minha avó, miguelista ferrenha, que me contava, sentada no banco do quintal, a guerra dos dois irmãos.

(…) Ouvi-lhe todo o cerco, assisti com ela à entrada dos sete mil e quinhentos esfarrapados «que só venceram por traição do Povoas», e a outras peripécias que mais tarde procurei neste volume a que faltavam folhas.

(…) Quase lidei com todos estes fantasmas. Foi por isso decerto que o livro sempre me encantou, apesar de escrito numa língua-de-trapos. E talvez a língua arrevesada lhe aumentasse ainda o prestígio… Figurava-se-me ter ao pé de mim o pitoresco inglês descrevendo o Saldanha, o Torres obstinado na defesa da Serra e sem vintém para rapé, D. Pedro despindo o casaco para ensinar um carpinteiro a talhar o reparo duma peça, os labrostes dos arredores, com o saco às costas e a faca no saco, à espera do assalto à «rica cidade dos malhados» … – os quadros, as cenas, as figuras, que Owen, observador inteligente, anota e põe de pé com realce e precisão.

(…) Aí têm as razões porque este livro me interessa. Tem o prestígio da desgraça. Depois é simples. Depois misturou-se aqui alguma vida de Camilo. É também o depoimento dum estrangeiro sobre as nossas coisas, e dum estrangeiro que sabe ver, encontrar o traço preciso, ou pôr de pé um retrato em seis linhas flagrantes. Limpei-o aqui e ali para o tornar legível, procurando completa-lo com observações doutro inglês, Napier, e com algumas notas mais. Tudo isto que hoje nos parece minúsculo e longínquo diante da calamidade que revolve a Europa, se passou entre os quatro muros da nossa casa. Eu sou tripeiro. E, como já disse, ouvi muitas vezes esta história contada por minha avó na casinha sobre o rio, o que não se esquece… Estão à minha roda o soldado, a filha schakspereana, que morreu assombrada, com olhos de espanto que ainda hoje enchem de aflição – e sem ter compreendido – e sem ter compreendido!… Esperam outras, outras ainda…”

Raul Brandão, prefácio de O Cerco do Porto, do Coronel Owen, 2.ª ed. Porto: Renascença Portuguesa, imp. 1920. (Biblioteca histórica; 1).

No ano em que passam 200 anos sobre a Revolução Liberal em Portugal, lembramos o contributo do escritor da Casa do Alto, Raul Brandão, na obra memorialista do Coronel Owen, O cerco do Porto.

O Cerco do Porto, evento de pronunciado alcance na afirmação do Liberalismo em Portugal, decorreu entre Julho de 1832 e Agosto de 1833, opondo forças absolutistas, fiéis a D. Miguel, e liberais, apoiantes de D. Pedro. O Coronel Owen, militar inglês que se encontrava em Portugal desde o período das invasões francesas, vivia no Porto quando dos movimentos bélicos e, apesar de não ter incorporado qualquer agrupamento militar, obedecendo a indicações superiores, colaborou com D. Pedro durante o período que decorreu o conflito. O testemunho do Coronel, um dos mais completos sobre o confronto, contribui grandemente para a compreensão da Revolução Liberal Portuguesa. Owen desenvolveu com assinalável detalhe as operações militares, assim como descreveu os antecedentes do liberalismo, a configuração sociopolítica da época e os principais intervenientes da causa liberal e do absolutismo.

O cerco do Porto, editado pela primeira vez, pelo Coronel Owen, em Londres no ano de 1835, foi por Raul Brandão “ressuscitado”, em 1915 (tendo tido, cinco anos mais tarde, segunda edição revista), quando o prefaciou e enriqueceu com diversas notas e ilustrações de imagens e documentos coetâneos aos acontecimentos narrados.

Raul Brandão, militar, jornalista e um dos grandes vultos da literatura portuguesa da primeira metade do séc. XX, dedicou especial carinho ao testemunho de Owen, assim como a determinados momentos sociopolíticos do país. Produziu textos reveladores de uma grande acuidade historiográfica e de grande relevância para o conhecimento do período das invasões francesas – El-Rei Junot – do liberalismo e da guerra civil – A conspiração de 1817 – Gomes Freire de Andrade e O cerco do Porto – e do período da República – Memórias.

Do lado direito da imagem vê-se um excerto da carta enviada por Francisco Owen, bisneto do Coronel, autor da obra, para Raul Brandão, datada de 1916, após a primeira edição do livro (Arquivo da SMS).

Com os melhores cumprimentos,

A Direcção da SMS

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Epidemias de ontem e de hoje: hospitais de campanha

Ontem como hoje, as imagens dos hospitais de campanha dão-nos uma imagem do impacto destas pandemias.

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Epidemias de ontem e de hoje: a Pneumónica de 1918-19

Em todo o mundo, vivem-se hoje momentos de grande preocupação e desassossego causados pelo surto de um novo coronavírus, o SARS-CoV-2, responsável pelo desenvolvimento da Doença por Coronavírus, conhecida como COVID-19. Identificado pela primeira vez na cidade chinesa de Wuhan, em dezembro de 2019, o novo coronavírus surpreende tudo e todos com a velocidade e dimensão da sua transmissão, reportando-se já milhares de casos de infeção em 147 países, situação que levou a Organização Mundial de Saúde a declarar a COVID-19 como uma pandemia, uma verdadeira ameaça global.

Os efeitos desta guerra declarada à COVID-19 são visíveis também em Portugal. As ruas estão praticamente vazias, o trânsito diminuiu drasticamente, os transportes públicos circulam com poucos passageiros, a passagem nas fronteiras é controlada pelas autoridades, as companhias aéreas cancelaram inúmeros voos e multiplicam-se as ações de limpeza e desinfeção. Num momento tão desolador, a população, na sua generalidade, acata os apelos das entidades competentes e permanece em casa, respeita as distâncias de segurança e, com uma tremenda força de espírito e resiliência, organiza ajudas e entretenimentos através das redes sociais.

Ao viver esta situação tão dramática, é impossível não recordar o trabalho que temos vindo a desenvolver na Casa de Sarmento sobre a «gripe espanhola» ou «pneumónica», que se abateu sobre o mundo e o nosso país nos anos de 1918 e 1919. Tal como noutros pontos do mundo, em Portugal, a «gripe espanhola» desenrolou-se em três vagas, tendo sido a segunda, ocorrida entre finais de agosto e inícios de dezembro de 1918, a mais mortífera. Começou a manifestar-se a norte, na zona do Porto, mas devido à sua incrível virulência, nos inícios de outubro, já atingia o Algarve. Bem mais mortífera e devastadora do que qualquer outra epidemia, a «pneumónica» atacou preferencialmente os adultos jovens e dissolveu famílias inteiras.

Por recomendação do recém-nomeado Diretor-Geral de Saúde, o Dr. Ricardo Jorge, adotaram-se algumas medidas: determinou-se que todos os médicos deveriam comunicar os casos de gripe; recomendou-se a higiene e a desinfeção como medidas profiláticas; sugeriu-se que se evitassem aglomerações e impôs-se a limitação e vigilância das migrações dos trabalhadores agrícolas, bem como dos militares desmobilizados (recordemos que vivíamos os momentos finais da Primeira Guerra Mundial). O referido clínico afirmava mesmo, em 1918, que

«[n]ão fica mal deixar de visitar enfermos (…) e também não fica mal (…) acabar com os cumprimentos de uso – apertos de mão e ósculos de cerimónia, gestos que repugnam à higiene e até à cultura, restos que são do passado selvagem. As reverências chegam (…).»

Em Guimarães, no final do mês de setembro, a imprensa local fez soar o alarme. A gripe broncopneumónica, que já martirizava a população de Barcelos, Vila Real e Amarante, provocando inúmeras mortes, fazia-se também presente na cidade. Durante os meses da crise, entre finais de setembro e meados de dezembro de 1918, faleceram no concelho de Guimarães, com diagnóstico de gripe, mais de 500 pessoas (recorde-se que as estimativas mais conservadoras apontam, para todo o mundo, uma mortalidade de cerca de 50 milhões de indivíduos).

Nos jornais, lemos que a ação da «gripe espanhola» foi devastadora e a sua influência fez-se sentir em todos os planos da vida da comunidade. Atacando de improviso, atuando com rapidez, indiferente a géneros, idades e classes sociais, e altamente mortífera, a epidemia encheu os hospitais de doentes, habitantes da cidade, mas também das freguesias rurais, que lá chegavam transportados em carros de bois. No hospital da Santa Casa da Misericórdia, o surpreendente aumento do número de doentes colocou todo o pessoal hospitalar sob grande pressão, levando-o inclusivamente a pedir aumentos salariais. Os provedores, por seu lado, temendo a rutura dos serviços hospitalares (internamentos, consultas, curativos e medicamentos), multiplicaram os pedidos de subsídios ao Estado, recorreram por diversas vezes ao capital da instituição e implementaram medidas várias com o intuito de aumentar receitas e diminuir despesas.

O desenvolvimento da «gripe espanhola» obrigou também à intervenção da autoridade administrativa e de saúde pública. Para além de se apostar no isolamento dos doentes, internando-os no hospital provisório estabelecido nas Escolas de Santa Luzia, as autoridades locais procuraram evitar a concentração de indivíduos, impondo medidas que acarretaram mudanças no quotidiano dos vimaranenses: fecharam-se as igrejas e proibiram-se os atos religiosos aos domingos e dias santificados, bem como a peregrinação anual ao Santuário da Penha; as casas de espetáculos encerraram as suas portas; atrasou-se a abertura de todas as escolas oficiais e particulares; impediu-se a realização da feira. Por questões sanitárias, ordenou-se a remoção de todos os suínos do centro da cidade, a obrigatoriedade de limpar e desinfetar os prédios que tivessem contacto com esgotos, e pediu-se aos regedores das freguesias do concelho o envio de remessas de pinheiro e eucalipto para se queimarem nas ruas e largos da cidade. Para evitar o alarme social pela visualização do desfile quase ininterrupto de caixões a caminho do cemitério, proibiram-se os cortejos fúnebres e o transporte de cadáveres passou a fazer-se depois das 20 horas.

Num cenário de crise política e social, e com a população subjugada pela fome e a epidemia, ganhou especial importância a rede de solidariedades que se criou no seio da comunidade vimaranense para dar resposta a tantas situações aflitivas. Recorde-se, por exemplo, a iniciativa da Associação de Bombeiros Voluntários que, juntamente com a banda do Regimento de Infantaria nº 20, a Nova Filarmónica Vimaranense e o grupo musical dos «Guizes», organizou um bando precatório a favor do «hospital de pneumónicos» e dos doentes pobres do concelho; ou a de um grupo de particulares que criou a «Sopa Económica Vimaranense», que ofereceu gratuitamente uma refeição diária a 100 crianças pobres da cidade.

E já quando se celebravam missas em honra de São Sebastião, por se considerar debelada a terrível «gripe espanhola», eram poucos aqueles que ainda não tinham percebido que muito havia mudado em Guimarães. Através da imprensa da época, que pode ser consultada na página da Internet da Casa de Sarmento, avultam os relatos consternados que mostram como a fisionomia da cidade se alterou com o desaparecimento repentino e inesperado de tanta gente.

Hoje, somos mais uma vez surpreendidos pela Natureza. Convencidos da nossa capacidade de a controlar, julgávamos que estes eventos pandémicos estavam afastados para sempre. Eis-nos, contudo, confrontados com uma situação idêntica à vivida pelos nossos avós, há cem anos atrás, limitados às únicas medidas também ao dispor dos nossos antepassados: isolamento e higiene. Mas tal como eles, iremos certamente vencer esta pandemia e o medo que lhe está associado.

“Resta-nos, se é possível, escolher, contra o que nos faz tremer de apreensão e nos instala na instabilidade e no pânico, as forças de vida que nos ligam (poderosamente, mesmo sem o sabermos,) aos outros e ao mundo.” (José Gil, Público 15/03/2020)

Texto resultante da pesquisa desenvolvida na Casa de Sarmento por Antero Ferreira e Célia Oliveira, publicado no jornal “O Comércio de Guimarães” (18-3-2020)

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