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Monthly Archives: Abril 2020

Aviso ao povo para não morrer de bexigas

Na Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento existe um curioso opúsculo, com o sugestivo título «Aviso ao povo para não morrer de bexigas». Sobre esta publicação de um farmacêutico vimaranense, João Lopes de Faria assinala nas suas efemérides que, em 1 de março de 1873, «A autoridade administrativa convidou os farmacêuticos para uma reunião a fim de prestarem todo o auxilio aos doentes atacados das bexigas, cuja epidemia grassava nesta cidade, que estivessem em circunstâncias desfavoráveis e com poucos recursos para medicar-se no seu domicílio. O hábil farmacêutico Manuel José de Passos Lima, “O Pilro”, da Rua de Santa Rosa de Lima, publicou em 7 deste mês um folheto, impresso, com o título de Aviso ao Povo para não morrer de Bexigas, ou considerações sobre a Epidemia da Varíola que custava 100 reis.»

Nesta obra, Passos Lima começa por apresentar uma curiosa definição de epidemia, recordando a etimologia da palavra:

«Este termo, que vem de duas palavras gregas, na nossa linguagem, quer dizer: mal, que está em cima do povo. É na verdade eloquente essa definição.»

A leitura do texto permite-nos observar que Passos Lima era um homem culto e bem informado, o que se torna evidente pelas abundantes citações de autores franceses e ingleses. Explica eloquentemente a origem e as vantagens da vacina, recordando, com ênfase, a frase que o Instituto Vacínico de Edimburgo recomendava que o clero da Escócia dirigisse aos pais, na altura do batismo de uma criança:

«se esta criança morrer de bexigas naturais, vós somente sois o culpado da sua morte, por que tendes na vossa mão um pronto e eficaz meio de a livrar desta fatal enfermidade, e este meio é a vacina dádiva do Céu.»

Para quem não tinha acesso à vacina, perante um doente com bexigas, destacando a elevada contagiosidade da doença, o autor apresenta uma série de recomendações, entre as quais: que o doente deve ser colocado numa sala ampla, limpa, arejada, não dormindo junto dele pessoa alguma; que se devem mudar todos os dias as roupas brancas da cama, bem como as camisas e despejar os vasos logo que os doentes façam alguma evacuação.

Finalmente, conclui, afirmando que dava por bem pago o trabalho que teve «se tiver a ventura com ele de salvar a vida a uma só pessoa.»

Para os mais curiosos, segue a ligação para o texto integral: https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/arquivo-digital/item/105708#?c=0&m=0&s=0&cv=0

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ArchivAVE – Francisco Inácio da Cunha Guimarães & Filhos – Moinho do Buraco

Pedido de licença em nome de Francisco Inácio da Cunha Guimarães & Filhos para abrir uma comporta num açude e fazer o aproveitamento hidroeléctrico do rio Selho no Moinho do Buraco.

Local: Concelho de Guimarães, Freguesia de Selho (São Jorge), Lugar de Moinho do Buraco Consultar

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Casa de Sarmento lança livro sobre a gripe espanhola (1918)

“A Gripe Espanhola de 1918” é o título da mais recente publicação da Casa de Sarmento. Este livro resulta de um encontro científico internacional, promovido pela Casa de Sarmento (Unidade Diferenciada da UMinho), que se realizou em Guimarães, na Sociedade Martins Sarmento, entre 25 e 26 de outubro de 2018, em colaboração com a Associação de Demografia Histórica (ADEH), a Associação Portuguesa de Demografia (APD) e o Grupo de Populações e Saúde do CITCEM.

Das jornadas, em que participaram trinta e cinco investigadores, congregando diversas perspetivas, desde a Demografia à História da Saúde, resultou esta publicação, que reúne dezasseis trabalhos que se repartem, fundamentalmente, por três áreas: perspetivas globais sobre a gripe e outras pandemias, estudos de caráter regional e impactos socioculturais da pandemia. Este conjunto de estudos é um importante contributo para conhecer melhor uma realidade que só há muito pouco tempo tem acolhido o interesse da comunidade científica e que tem óbvio paralelo com a grave situação epidemiológica que vivemos nos dias de hoje.

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